
Motorola cobra a partir de US$ 2,99 por eSIM de viagem com Global Connect
A Motorola lançou o Global Connect, serviço de eSIM com pacotes de US$ 2,99 a US$ 13,99 e cobertura em mais de 160 países, entrando em uma disputa já dominada por Airalo e Holafly.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
A partir de US$ 2,99 por 1 GB até US$ 13,99 por 20 GB: essa é a faixa de preço que a Motorola está cobrando no Global Connect, seu novo serviço de eSIM para quem viaja para fora do Brasil. A fabricante lançou o produto em 21 de agosto e, para tentar acelerar a adoção, está distribuindo 1 GB grátis para usuários elegíveis por tempo limitado — um gancho clássico de aquisição em um mercado que já tem player consolidado.
Como funciona
Foto: reprodução/techgenyz.com
O Global Connect é operado dentro do aplicativo da Motorola (desenvolvido em parceria com a empresa Gigs) e dispensa a troca física de chip: o usuário instala um eSIM uma única vez e, a cada viagem, escolhe o país de destino, a quantidade de dados e paga pelo pacote direto no app, com ativação instantânea. A promessa é evitar as tarifas de roaming internacional cobradas pelas operadoras tradicionais.
Onde funciona — e onde ainda não
O serviço já está disponível no Brasil, México, Argentina, Peru e Chile, com cobertura de rede em mais de 160 países. A expansão para Reino Unido, Itália, Alemanha e Polônia está prevista para ainda este ano. É importante notar que a Motorola não detalhou publicamente em quais desses destinos a conexão efetivamente entrega 5G — a empresa fala em cobertura de rede local, sem especificar a tecnologia disponível em cada país.
Foto: reprodução/zigg.com.br
Quem pode usar
A exigência é ter um aparelho Motorola compatível com eSIM, o que inclui as famílias Razr e Edge, além de modelos recentes da linha Moto G. Quem tem celular mais antigo ou de outra marca fica de fora — o Global Connect é um diferencial de ecossistema, não um produto agnóstico de fabricante.
Quem ganha e quem perde
A Motorola entra em um mercado que cresce em ritmo de dois dígitos e que já tem dois nomes fortes: Airalo, primeira "unicórnio" do setor após aporte de US$ 220 milhões, e Holafly, que já passou de US$ 500 milhões em receita acumulada e vem sendo apontada como referência em simplicidade de uso. Ao embutir o serviço no próprio aparelho, a Motorola tenta um atalho que Airalo e Holafly não têm — a instalação nativa —, mas abre mão do público de outras marcas, que é justamente onde essas plataformas independentes lucram. Quem ganha no curto prazo é o consumidor Motorola que viaja pouco e usa a promoção de 1 GB grátis; quem perde é a receita de roaming das operadoras de telefonia tradicionais, pressionadas por mais uma alternativa embutida no hardware.