
Motorola Edge 70: fino, potente, mas a bateria vale o preço?
O novo intermediário premium da Motorola aposta em design ultrafino e desempenho de ponta, mas sacrifica autonomia frente ao Edge 60. Testamos e questionamos se vale a pena no bolso brasileiro.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Fino a ponto de impressionar
Peguei o Motorola Edge 70 na mão e a primeira reação foi de estranhamento: 5,99 mm de espessura e 163 gramas são números que, até pouco tempo, só víamos em conceitos de feira. A Motorola conseguiu colocar isso em um aparelho de verdade, vendido no Brasil, testado em 16 categorias e 14 procedimentos MIL-STD-810H de resistência, com certificações IP68 e IP69. Ou seja, fino não significa frágil — pelo menos no papel.
A tela pOLED de 6,7 polegadas, com resolução 1220 x 2712 pixels e 120 Hz, é do tipo que resolve qualquer dúvida sob sol forte, um problema recorrente em intermediários. Some a isso o processador Snapdragon 7 Gen 4 (4 nm) com 12 GB de RAM e o resultado é um aparelho ágil, sem engasgos em uso pesado — especificação virando experiência real de uso, não só número de ficha técnica.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Câmeras versáteis, mas o calcanhar de aquiles é conhecido
O conjunto de câmeras impressiona pela simetria: 50 MP na principal com estabilização óptica (OIS) e PDAF, 50 MP na ultrawide e mais 50 MP na frontal. É um pacote pensado para quem vive de redes sociais e não quer trocar de aparelho para gravar um vídeo decente.
Foto: reprodução/techtudo.com.br
O problema, no entanto, é o mesmo que já era esperado por quem acompanha a linha: a bateria de 4.800 mAh, com célula Si/C e carregamento rápido de até 68W, entrega em torno de um dia de uso moderado — pouco para quem é usuário pesado. E aqui a comparação com o antecessor dói: o Edge 60 trazia uma bateria maior, justamente porque tinha um corpo mais robusto. A Motorola trocou robustez por design, e a conta chegou na autonomia.
Vale o preço no Brasil?
É aqui que a balança pesa. Oficialmente, a Motorola lançou o Edge 70 no Brasil a partir de R$ 4.449 na versão de 256 GB, chegando a R$ 5.499 na de 512 GB e R$ 5.999 na edição especial com cristais Swarovski — faixa de preço de intermediário premium que exige poucas concessões. Já em varejo, o aparelho tem aparecido com desconto agressivo, com preços encontrados abaixo de R$ 2 mil.
Se o comprador prioriza portabilidade, tela de qualidade e câmeras versáteis, o Edge 70 entrega, e por um preço promocional se paga muito bem. Mas quem depende de bateria para o dia inteiro sem correr atrás de tomada — profissional em campo, viajante, usuário pesado de jogos — vai sentir falta do fôlego do Edge 60. Design ultrafino tem seu preço, e nesse caso ele é medido em miliamperes-hora.