
Motos elétricas são 0,5% da frota: o que falta para crescer no Brasil
São Paulo tem mais motos do que os Estados Unidos, mas a eletrificação de duas rodas ainda patina. Recarga lenta e apego ao motor a combustão travam a virada.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Um mercado ainda pequeno
Das motos que circulam no Brasil, apenas 0,5% são elétricas — um recorte pequeno dentro de uma frota nacional de 35 milhões de veículos. O dado chama atenção porque o potencial é grande: só São Paulo tem mais de 1 milhão de motos rodando, mais do que toda a frota de motos dos Estados Unidos.
Quem sente a diferença primeiro é o entregador. Segundo a Canaltech, trabalhadores de aplicativos de entrega que trocam a moto a combustão pela elétrica podem ganhar até 15% mais de renda líquida, com economia em combustível e manutenção. A emissão de carbono cai mais de 60% em comparação com o motor tradicional.
O que trava a virada
O maior obstáculo não é preço de compra — é tempo. A recarga convencional ainda é lenta para quem depende da moto para trabalhar o dia inteiro. Por isso, cresce o modelo de troca de bateria em estações próprias, que leva cerca de 3 minutos, perto do tempo de um abastecimento comum.
Há também uma barreira que não aparece em planilha: o apego cultural ao ronco do motor a combustão e ao estilo tradicional de pilotar. É o tipo de resistência que nenhum incentivo fiscal resolve rápido.
Os números do setor mostram crescimento, mas a partir de uma base pequena. Segundo a Fenabrave, associação nacional dos distribuidores de veículos, os emplacamentos de motos elétricas subiram 47,26% no primeiro trimestre de 2026 — ainda assim, menos de 1% do total de motos vendidas no país. Já a ABVE, associação que reúne fabricantes e importadores de veículos elétricos no Brasil, registrou alta de mais de 400% nas duas rodas elétricas no mesmo período.
Perguntas que faltam responder
Quem paga a conta da infraestrutura de recarga e troca de bateria — poder público, fabricante ou plataformas de entrega? E quanto custa hoje comparar uma moto elétrica com uma popular a combustão, considerando manutenção e vida útil da bateria? A reportagem original não detalha preços nem fiscalização de baterias descartadas, pontos que os próximos capítulos dessa eletrificação vão precisar enfrentar.