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Segurança11 de set. de 2026, 20:01Atualizada em 11 de set. de 2026, 21:49

MP-SP mira Trocafone em megaoperação sobre celulares roubados

A Operação Frankmobile aponta a Trocafone como 'nó financeiro central' de um esquema de revenda de celulares roubados. Procurada, a empresa nega envolvimento e diz operar com rigor legal.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Frankmobile, que investiga há cerca de dois anos o destino de celulares roubados e furtados na Grande São Paulo. A ação mobilizou mais de 1.700 agentes do MP, das polícias Militar e Civil e de outros órgãos públicos, cumprindo 84 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária em São Paulo e Goiás.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a investigação identificou uma cadeia criminosa dividida em quatro núcleos: um responsável pelos roubos e furtos; outro pelo desbloqueio dos aparelhos e acesso a contas bancárias e dados das vítimas; um terceiro pela alteração do IMEI e revenda; e um quarto pela desmontagem dos celulares e venda de peças.

A Trocafone, marketplace brasileiro de compra e revenda de celulares seminovos e recondicionados, é apontada pelo MP-SP como o "nó financeiro central" do esquema, ocupando o "topo da cadeia de comercialização" do grupo investigado. De acordo com a apuração, 759.317 aparelhos apareceram em notas fiscais de venda da empresa sem o registro correspondente de entrada ou compra regular, o que impossibilitaria rastrear a origem dos celulares.

O levantamento financeiro também mostra que, entre 2018 e 2024, a Trocafone foi alvo de 18 comunicações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações atípicas de R$ 95,8 milhões, incluindo 1.299 depósitos fracionados em valores abaixo de R$ 10 mil — padrão associado a esquemas de lavagem de dinheiro. O MP pediu o bloqueio de valores da empresa e a suspensão de suas atividades.

Ao todo, a operação resultou na apreensão de cerca de 10 mil celulares e peças, bloqueio de aproximadamente R$ 8 milhões, prisão de 15 pessoas e suspensão do cadastro de 18 empresas na Receita estadual.

Quem é afetado

O caso atinge diretamente consumidores que compraram ou venderam aparelhos usados na plataforma, já que o inquérito questiona a origem de parte significativa do estoque revendido. Também são afetadas vítimas de roubos e furtos de celulares em São Paulo, cujos aparelhos, segundo a investigação, poderiam ter sido "esquentados" e reinseridos no mercado com aparência de legalidade.

O que diz a Trocafone

Procurada pelo Tecnoblog, a Trocafone negou qualquer envolvimento no esquema. Em nota, a empresa afirmou que "não integra o esquema criminoso sob investigação" e que "não atua em conluio com organizações criminosas", dizendo apoiar a operação. A companhia disse ainda operar com "rigor legal estrito", realizar verificações de IMEI nos aparelhos recebidos e segregar imediatamente qualquer celular com indício de origem ilícita, além de reportar suspeitas às autoridades.

O que fazer agora

  • Ao comprar celular seminovo, sempre confira o IMEI em serviços como o Sistema Nacional de Gestão de Informações de Segurança Pública (Sinesp) ou no site da Anatel antes de fechar negócio.
  • Guarde nota fiscal e comprovantes de compra do aparelho usado, o que facilita eventual contestação em caso de bloqueio de IMEI.
  • Se seu celular foi roubado ou furtado, registre boletim de ocorrência e bloqueie o IMEI junto à operadora o quanto antes, dificultando a revenda do aparelho.
  • Desconfie de preços muito abaixo do mercado em anúncios de celulares usados, um dos sinais mais comuns de aparelho de origem duvidosa.

Atualização (11/09, 21:49): Atualização: novos detalhes da Operação Frank Mobile, deflagrada pelas polícias de São Paulo e pelo MP-SP na megaoperação que mira a Trocafone, mostram como celulares roubados conseguem voltar a funcionar mesmo depois de bloqueados pelo dono. Segundo a apuração, criminosos usam softwares que manipulam o IMEI do aparelho ou, em casos mais extremos, trocam a placa-mãe para gerar um novo identificador.

Em celulares Android, alguns desses programas forçam uma restauração de fábrica sem exigir a senha ou o login do Google associado ao aparelho. Em iPhones, servidores especializados são usados para driblar o bloqueio de conta iCloud, uma das principais barreiras da Apple contra o uso de aparelhos roubados. Depois de "limpos", os celulares voltam ao mercado como seminovos ou recondicionados, ou são desmontados para venda avulsa de peças como tela e bateria.

A descoberta reforça que o bloqueio de IMEI, sozinho, não é mais garantia de proteção — especialistas recomendam também ativar o bloqueio de conta (Google ou iCloud) e registrar boletim de ocorrência imediatamente em caso de roubo ou furto.

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