tech & talk
Ciência03 de nov. de 2026, 08:57

Mundo tem novo plano para salvar a natureza, mas ainda falta o dinheiro

A COP17, conferência da ONU sobre biodiversidade realizada em Yerevan, na Armênia, aprovou um pacote de ações para tentar recolocar as metas de 2030 no rumo certo, mas o financiamento global continua muito abaixo do necessário.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

Compartilhar

Pra escala humana: imagine prometer recuperar 30% de toda a área degradada do planeta — florestas, rios, oceanos — e descobrir, a sete anos do prazo, que o dinheiro reservado para isso cobre menos da metade do necessário. É mais ou menos o retrato que a ONU fez da situação da biodiversidade mundial na COP17, encerrada em Yerevan, capital da Armênia.

O que é confirmado

Os países aprovaram o chamado "Yerevan Pathway" (Caminho de Yerevan), um conjunto de quase 50 decisões que reorganiza as prioridades para tentar cumprir as metas da Estrutura Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal até 2030. Essas metas incluem proteger 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta e restaurar 30% dos ecossistemas degradados.

Uma avaliação da própria ONU, divulgada antes do encontro, confirmou que o mundo está fora da rota em 22 das 23 metas estabelecidas para 2030. O financiamento é o ponto mais crítico: o acordo original previa mobilizar ao menos US$ 200 bilhões por ano até 2030 para conservação, mas o volume efetivamente investido em 2025 não passou de cerca de US$ 92 bilhões — menos da metade do prometido. Na COP17, os países anunciaram novos compromissos financeiros somando quase US$ 2 bilhões, uma fração do que falta para fechar a conta.

O que é hipótese

Se o Yerevan Pathway vai de fato acelerar o fluxo de dinheiro para conservação é algo que ainda não pode ser verificado — o documento estabelece prioridades e prazos, mas depende da vontade política de cada governo para sair do papel. Também não há garantia de que os quase US$ 2 bilhões anunciados na conferência serão efetivamente desembolsados ou chegarão aos projetos que mais precisam de recursos; compromissos financeiros anunciados em conferências climáticas e de biodiversidade nem sempre se traduzem em repasses integrais nos anos seguintes, um padrão observado em cúpulas anteriores da ONU.

Por que isso importa

A meta de US$ 200 bilhões anuais não é um número aleatório: é a estimativa considerada necessária para deter a perda de espécies e de ecossistemas que sustentam desde a produção de alimentos até a regulação do clima. Com o financiamento real rodando em menos da metade do prometido e a maioria das metas fora da rota, a conferência de Yerevan serviu menos para celebrar avanços e mais para tentar evitar que o prazo de 2030 se torne, na prática, inatingível.

biodiversidadecop17meio ambienteonu
Compartilhar