
Muse chega a 3,4 milhões de downloads e rouba a cena de OpenAI e Anthropic
O agente pessoal de IA da Meta cresce mais rápido que o ChatGPT em seus primeiros dias, mas a empresa ainda precisa provar que superou seu histórico de privacidade para convencer o usuário a confiar nela.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
3,4 milhões de downloads em duas semanas
Esse é o número que colocou o Muse, agente pessoal de IA da Meta, no centro do debate sobre quem lidera a corrida de IA generativa. Segundo a firma Sensor Tower, o app somou 3,4 milhões de downloads desde o lançamento em 8 de setembro — outras consultorias divergem (Apptopia cita 4,3 milhões; Appfigures, cerca de 2,3 milhões), mas todas confirmam a mesma tendência: crescimento médio de 55% dia a dia nas duas primeiras semanas, ritmo superior aos 24% diários do ChatGPT em sua largada. Claude, da Anthropic — companhia rival da OpenAI que disputa o mercado corporativo de IA generativa com o assistente Claude —, e o Grok, da xAI, tiveram desempenho inicial pior que o do Muse, segundo dados citados pela TechCrunch.
O que é o Muse
Apresentado no Meta Connect, o Muse é um agente de IA voltado ao consumidor final, com interface de chatbot em app de celular (iOS, Android e muse.ai) e um dispositivo físico portátil no estilo Tamagotchi, batizado de Jolly. É movido pelo modelo multimodal Muse Spark e incorpora tecnologia da OpenClaw, startup adquirida pela Meta. Entre as funções: buscar dinheiro esquecido em contas antigas, cancelar assinaturas não usadas, identificar cobranças duplicadas e organizar compromissos — tarefas do dia a dia, e não codificação ou produtividade corporativa, o território que OpenAI e Anthropic vinham disputando entre si.
Por que isso muda o jogo
Enquanto OpenAI e Anthropic concentraram esforços em ferramentas empresariais e de código, a Meta apostou na ponta oposta do mercado: o consumidor comum. Foi essa divergência de estratégia, segundo análise da TechCrunch, que fez o Muse "roubar os holofotes" justamente quando o debate sobre liderança em IA generativa girava em torno das duas rivais americanas.
Quem ganha e quem perde
A Meta ganha tração e mostra que consegue competir fora do terreno onde já estava confortável (redes sociais e anúncios). Mas o obstáculo é reputacional: para acessar dados financeiros e de e-mail, o Muse pede o tipo de acesso que a empresa historicamente monetizou via publicidade — o que levou a comparações desfavoráveis com o Siri da Apple, citado como alternativa mais confiável por não depender de anúncios direcionados. Uma das funções mais chamativas, encontrar fundos não reclamados, foi descrita como "mais um truque de festa" do que utilidade real recorrente. Quem perde, por ora, é a confiança do usuário: o crescimento é real, mas a Meta ainda carrega o peso dos escândalos de privacidade do passado, e precisará provar que dados sensíveis não alimentam seu negócio de publicidade para transformar downloads em uso de longo prazo.