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Segurança16 de out. de 2026, 09:48

Muse, da Meta, e outros assistentes de IA coletam dados de quem está perto de você

Assistentes pessoais de IA como o Muse, da Meta, estão montando perfis detalhados de amigos, familiares e contatos do usuário sem que essas pessoas tenham consentido. Entenda o que está em jogo e como se proteger.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O Muse, assistente pessoal de inteligência artificial da Meta (dona do Instagram e do WhatsApp), virou alvo de uma apuração do site The Verge por um motivo específico: ele não coleta só dados de quem o usa. Segundo a reportagem, pesquisadores de segurança extraíram as instruções internas do Muse e encontraram um processo batizado de "Relationships", que cria e atualiza, a cada hora, dossiês sobre todas as pessoas com vínculo significativo com o usuário — amigos, familiares, ex-parceiros, colegas de trabalho — mesmo que essas pessoas nunca tenham aberto o aplicativo.

Esses arquivos registram como o usuário conheceu cada contato, interesses em comum, brigas, tensões e alianças dentro de um grupo social, e até combinados e promessas trocados entre as partes. A Meta afirma que o acesso do Muse é opt-in e baseado no que o próprio usuário decide compartilhar, mas críticos apontam que a interface usa padrões de design ("dark patterns") que empurram o usuário a liberar contatos, histórico de conversas e outras informações sensíveis. Há ainda relatos de usuários que disseram o Muse acessou mensagens de texto que julgavam fora do alcance do app, e de um caso em que o endereço residencial de uma pessoa foi exposto — a Meta nega acesso não autorizado e atribui o episódio a configurações de permissão mal feitas.

O problema não é exclusivo da Meta: outros gadgets "sempre ligados", como os pingentes Bee (da Amazon) e Limitless e o companheiro Friend, enfrentam a mesma crítica — quem compra o dispositivo consente em ser gravado, mas quem está ao redor, não. A diferença é que o Limitless inclui um modo de consentimento com aviso sonoro para quem está por perto, enquanto o Bee, por padrão, não emite esse alerta.

Quem é afetado

  • Quem usa o Muse ou ferramentas semelhantes, e expõe sem perceber dados de terceiros nas conversas;
  • Amigos, familiares e contatos de usuários desses apps, que podem ter perfis criados sobre eles sem nunca ter dado consentimento;
  • Pessoas ao redor de quem usa wearables de IA sempre ligados (pingentes, óculos inteligentes), que podem ser gravadas em reuniões, ligações ou conversas informais.

O que fazer agora

  • Antes de liberar acesso a contatos, mensagens ou e-mails para um assistente de IA, leia com atenção o que está sendo autorizado — e avise as pessoas próximas que você usa a ferramenta;
  • Evite citar informações sensíveis de terceiros (saúde, orientação sexual, dados financeiros) em conversas com esses assistentes, já que elas podem virar parte de um perfil armazenado na nuvem da empresa;
  • Se alguém perto de você usa um desses gadgets, pergunte diretamente se a gravação está ativa e peça para ser avisado quando isso acontecer;
  • Fique de olho nas configurações de privacidade do app e desative recursos de memória ou histórico que não sejam essenciais;
  • Acompanhe se a empresa cumpre promessas de criptografia que impeçam até ela própria de acessar esses dados — no caso do Muse, a Meta prometeu esse recurso para ainda este ano, mas ele não está disponível.
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