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Mercado18 de ago. de 2026, 16:55

Musk enfraqueceu o controle aéreo dos EUA e Palantir pode faturar com o caos

Apagão de radar em Minneapolis deixou mais de 1.100 voos afetados por duas horas em 6 de agosto, após cortes ligados ao DOGE de Musk esvaziarem o controle de tráfego aéreo americano — e agora a Palantir, cofundada por Peter Thiel, disputa contratos bilionários para 'modernizar' o sistema.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: 1.100 voos parados em duas horas

No dia 6 de agosto, o Centro de Controle de Tráfego Aéreo de Minneapolis perdeu radar e comunicação por rádio durante cerca de duas horas. O apagão paralisou a operação em uma área de 330 mil milhas quadradas que cobre nove estados americanos e afetou mais de 1.100 voos. Dois dias antes, em 4 de agosto, um helicóptero Marine One levando o presidente Donald Trump decolou da Casa Branca e, como exige o protocolo da FAA, os pilotos tentaram avisar o Aeroporto Reagan National para suspender o tráfego comercial durante a manobra — mas os controladores não ouviram a transmissão, e um avião comercial chegou a ser liberado para decolagem.

Como o sistema chegou fragilizado a agosto

Foto: reprodução/simpleflying.com

Os episódios não surgem no vácuo. Em janeiro de 2025, Michael Whitaker deixou o comando da FAA no dia da posse de Trump, após meses de pressão pública de Elon Musk, que havia pedido sua saída depois de a agência propor multa de mais de US$ 600 mil à SpaceX por violações de licença em lançamentos de 2023. Semanas depois, em 14 de fevereiro, o DOGE — a força de corte de gastos comandada por Musk — demitiu 132 funcionários probatórios da FAA, incluindo pessoal técnico ligado à manutenção de radares e infraestrutura de segurança. A Justiça determinou a reintegração dos funcionários com pagamento retroativo, mas o estrago no quadro de pessoal já estava feito: o próprio Musk chegou a reconhecer publicamente a falta de controladores aéreos qualificados, semanas depois de um acidente em Washington D.C. matar 67 pessoas.

Quem ganha, quem perde

Enquanto o sistema tropeça, a Palantir — cofundada por Peter Thiel, aliado de longa data de Musk — já opera um contrato com a FAA para fornecer uma ferramenta de análise de dados voltada à modernização da segurança da aviação, e disputa com a Thales e a startup Airspace Intelligence o contrato maior do sistema SMART, plataforma de IA que promete ampliar a previsão de conflitos aéreos de 15 minutos para até duas horas. O Congresso já destinou US$ 12,5 bilhões para a reforma do controle de tráfego aéreo, e a FAA estima precisar de mais US$ 20 bilhões para concluir o projeto — um pacote bilionário que só cresce à medida que a infraestrutura falha. Quem perde é evidente: passageiros presos em terra, companhias aéreas com atrasos médios de 90 minutos em aeroportos como o de Minneapolis-St. Paul, e um sistema de segurança que opera cada vez mais no limite.

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