
Musk estuda fusão de Tesla e SpaceX em negócio avaliado em R$ 19,4 trilhões
Conselhos das duas empresas formaram comitês independentes para avaliar uma possível fusão que criaria uma gigante combinada avaliada em cerca de R$ 19,4 trilhões. Musk diz apoiar a ideia, mas afirma não participar das negociações por conflito de interesse.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número: R$ 19,4 trilhões
Uma eventual fusão entre Tesla e SpaceX criaria uma companhia avaliada em cerca de R$ 19,4 trilhões (US$ 3,6 trilhões), somando o valor estimado de US$ 1,5 trilhão da Tesla com os aproximadamente US$ 2 trilhões atribuídos à SpaceX. O negócio, ainda em estágio preliminar, ganhou corpo nesta semana quando Elon Musk confirmou que os conselhos das duas empresas formaram comitês especiais, compostos exclusivamente por diretores independentes, para avaliar a operação.
Quem está na mesa — sem Musk
Foto: reprodução/techcrunch.com
Na Tesla, o comitê reúne sete conselheiros independentes: a presidente do board, Robyn Denholm, além de Ira Ehrenpreis, JB Straubel (ex-CTO da fabricante de carros elétricos), Joe Gebbia, Jack Hartung, James Murdoch e Kathleen Wilson-Thompson. Na SpaceX, o grupo tem seis nomes, com Ehrenpreis novamente presente, ao lado de Randy Glein, Donald Harrison, Steve Jurvetson, Luke Nosek e Roelef Boutha.
Musk foi explícito ao dizer que não integra nenhum dos dois comitês por ser "parte conflitada" — ele é o maior acionista individual de ambas as companhias. Em tom irônico, descreveu o processo como uma "dança kabuki estranha", em que dois grupos de diretores independentes negociam entre si sem a presença dele.
Mérito reconhecido, acordo ainda distante
Musk disse ver "muito mérito" em combinar as duas empresas, citando ganhos potenciais em inteligência artificial, chips, software, robótica e conectividade — áreas em que Tesla e SpaceX já colaboram informalmente. Ainda assim, ele próprio reconheceu os limites do processo: "os comitês especiais não chegaram a um acordo sobre os termos de qualquer transação", afirmou, sem garantir que a fusão de fato se concretize.
O obstáculo dos acionistas
A aprovação final depende de aval dos acionistas de ambas as empresas. Na SpaceX, Musk detém mais da metade do poder de voto, o que facilitaria a aprovação. Já na Tesla a régua é mais alta: será preciso o apoio de pelo menos 50% de todas as ações em circulação, o que o próprio executivo classificou como "um obstáculo bastante alto a superar". Até a concretização de qualquer acordo, o mercado segue de olho em quem sai ganhando — e quem pode perder poder de barganha — numa eventual consolidação do império Musk.