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Ciência13 de out. de 2026, 01:22

NASA abre disputa por estações espaciais privadas na órbita baixa

Agência publicou pedido final de propostas de 360 páginas para substituir a ISS após sua desativação, prometendo ao menos US$ 100 milhões aos primeiros contratos vencedores.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagina trocar de apartamento sem nunca ficar sem endereço: é mais ou menos esse o desafio que a NASA assumiu publicamente. Na sexta-feira (9), a agência divulgou o pedido final de propostas para financiar estações espaciais privadas que vão substituir a Estação Espacial Internacional (ISS) depois de sua desativação, prevista para o fim da década.

O que está confirmado

Segundo o anúncio oficial da NASA, as empresas interessadas têm até terça-feira, 8 de dezembro, para enviar propostas. A agência planeja selecionar ao menos dois contratantes diferentes em um primeiro contrato de desenvolvimento, com anúncio esperado para a primavera do hemisfério norte de 2027 (entre março e abril).

Os vencedores dessa primeira fase terão garantidos pelo menos US$ 100 milhões. Fases seguintes do programa Commercial LEO Destinations (Destinos Comerciais em Órbita Baixa, na tradução livre) preveem recursos adicionais para certificação das estações e a compra de ao menos quatro missões de astronautas da NASA às instalações privadas — com valores que a agência diz que somarão bilhões de dólares ao longo do programa.

O documento, com cerca de 360 páginas, não exige mais que as operadoras tenham acordo fechado com uma transportadora específica, como a Boeing, flexibilizando uma exigência de versões anteriores da proposta. A NASA também afirma que vai fornecer transporte para as quatro primeiras missões de astronautas às novas estações.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, resumiu o recado em nota oficial: "Deixamos claro que a NASA nunca vai abrir mão de sua presença na órbita baixa terrestre". Ele também disse esperar "planos credíveis, execução técnica sólida e empresas preparadas para investir em destinos que possam servir a NASA enquanto desenvolvem clientes e mercados próprios adicionais".

O que ainda é plano, não garantia

Vale separar o que é certeza do que é aposta. Empresas como Axiom Space, Vast e a joint venture Voyager Starlab — formada por Voyager Space e Airbus, com apoio da Northrop Grumman — já avançam em projetos de módulos e estações próprias, mas nenhuma tem lançamento garantido no prazo da ISS. A Vast, por exemplo, mira o lançamento de sua estação de módulo único, a Haven-1, no início de 2027, ainda sujeito a cronograma do foguete Falcon 9.

A seleção de dois ou mais vencedores pela NASA também não significa que todos chegarão à órbita: o modelo prevê etapas competitivas, e parte do financiamento bilionário citado pela agência depende de fases futuras ainda não contratadas.

Por que importa

A iniciativa tenta evitar um vácuo na presença americana no espaço entre o fim da ISS e a entrada em operação de estações comerciais — um intervalo que especialistas do setor já apontam como risco real para a continuidade de pesquisas em microgravidade.

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