
NASA acelera criação da Academia Espacial dos EUA após ordem de Trump
Menos de duas semanas depois de Trump assinar a ordem executiva, a NASA já reuniu a comissão responsável e abriu prazo para Estados proporem sede da futura United States Space Academy.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine criar, do zero, uma universidade federal de quatro anos — nos moldes de West Point ou da Academia da Força Aérea dos EUA — capaz de receber os primeiros 300 alunos em apenas dois anos. É esse o ritmo que a NASA está tentando impor à criação da United States Space Academy, a nova academia espacial dos Estados Unidos.
O que já é fato
Em 28 de agosto de 2026, o presidente Donald Trump assinou a ordem executiva que criou a comissão presidencial responsável por desenhar a academia. Em 9 de setembro, a comissão teve sua primeira reunião, presidida pelo administrador da NASA, Jared Isaacman. No dia seguinte, 10 de setembro, a agência publicou um Request for Information (RFI) — um pedido formal de propostas — convidando governadores de Estados americanos a se candidatarem para sediar a instituição. O prazo para envio de respostas termina em 26 de outubro, às 18h no horário da costa leste dos EUA, segundo comunicado oficial da NASA.
A ordem executiva também define um cronograma ambicioso: início das obras previsto para 2027, recepção dos primeiros 300 estudantes em instalações temporárias já em 2028, e funcionamento pleno em sede permanente a partir de 2031. A comissão tem 120 dias, contados da assinatura da ordem, para entregar recomendações a Trump.
O que ainda é plano ou promessa
Segundo a Casa Branca e reportagem da CNN, a proposta é que a academia ofereça diplomas de quatro anos sem cobrança de mensalidade, como as academias militares — mas, diferentemente delas, a maioria dos formados não seria incorporada às Forças Armadas: parte seguiria para a Space Force, mas o grosso migraria para a NASA ou para o setor civil do governo. Isaacman já descreveu publicamente a visão de uma instituição capaz de certificar equipamentos de lançamento e voo espacial e treinar tripulações — mas isso ainda não está formalizado.
Ainda não há local definido, valor de investimento fechado nem regras de admissão. Como referência de custo, academias militares similares já em operação, como a Academia da Força Aérea dos EUA, giram em torno de US$ 1 bilhão por ano em despesas operacionais — cifra citada por especialistas consultados pela CNN como parâmetro, não como orçamento confirmado do novo projeto.
Quem está por trás
Além de Isaacman, participam do processo o vice-administrador da NASA, Matt Anderson; o secretário de Guerra, Pete Hegseth; o secretário da Força Aérea, Troy Meink; e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett — sinal de que a iniciativa mobiliza várias frentes do governo americano, da educação à defesa.