
NASA aprova telescópio infravermelho de US$ 1,2 bi para voar em tempo recorde
A missão PRIMA avança para a fase de projeto detalhado e mira lançamento em 2033. É a primeira de uma nova classe de telescópios da NASA, pensada para custar menos e ser construída mais rápido que observatórios como o James Webb.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Pra escala humana: o espelho principal do novo telescópio da NASA tem cerca de 1,8 metro de diâmetro — do tamanho de uma porta grande —, mas ele vai enxergar uma fatia da luz que nem o James Webb, com seu espelho de 6,5 metros, consegue captar bem: o infravermelho distante, a faixa onde poeira cósmica fria e o nascimento de planetas e galáxias deixam suas digitais térmicas.
O que já é confirmado
A NASA confirmou, em anúncio de 23 de setembro, que a missão PRIMA (sigla em inglês para Probe far-Infrared Mission for Astrophysics, algo como "missão-sonda para astrofísica no infravermelho distante") avançou para a Fase B de desenvolvimento, etapa em que o projeto técnico é detalhado antes da construção começar de fato. O custo máximo autorizado é de US$ 1,2 bilhão, sem contar o lançamento — e o observatório é o primeiro da nova categoria "Probe Explorer", criada pela agência para ocupar o espaço entre as missões baratas do programa Explorers e os projetos bilionários como o telescópio espacial Nancy Grace Roman, orçado em US$ 4,3 bilhões.
O gerenciamento ficará com o Jet Propulsion Laboratory (JPL), o mesmo laboratório da NASA responsável por sondas como as Voyager e os rovers de Marte, com participação dos centros Goddard e Marshall e do Caltech's Infrared Processing and Analysis Center (IPAC), centro de processamento de dados astronômicos ligado ao Instituto de Tecnologia da Califórnia. A missão soma ainda parceiros internacionais: as agências espaciais da França (CNES), Itália (ASI), Alemanha (DLR), Canadá (CSA), Coreia do Sul (KASI/KASA), Japão (JAXA) e Reino Unido (UKSA).
O telescópio deve carregar dois instrumentos principais: o PRIMAger, um polarímetro de imagem, e o FIRESS, um espectrômetro de alta resolução. Segundo a NASA, parte dos detectores usados foi desenvolvida ao longo de três décadas de pesquisa do Caltech e do JPL, e a missão também deve aproveitar peças de reserva originalmente fabricadas para o telescópio espacial James Webb — estratégia que ajuda a baratear e acelerar o cronograma. "O PRIMA será a próxima janela da humanidade para o universo profundo", disse Nicky Fox, administradora associada da Diretoria de Missões Científicas da NASA, em comunicado oficial.
O que ainda é plano
O lançamento está previsto para 2033, com missão planejada para durar cinco anos — mas esses números dependem da aprovação na revisão de confirmação que decide a entrada na Fase C, etapa de construção propriamente dita. Também é hipótese de trabalho, não resultado obtido, o conjunto de perguntas científicas que a missão pretende responder: como planetas se formam fora do Sistema Solar, como galáxias e seus buracos negros centrais evoluíram ao longo da história cósmica e como poeira e elementos pesados se acumularam no universo. A origem do projeto remonta à recomendação do Decadal Survey 2020 da National Academies, painel que a cada dez anos define as prioridades da astronomia norte-americana — mas, como toda missão em Fase B, PRIMA ainda pode sofrer ajustes de escopo, cronograma ou custo até o lançamento.