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Ciência05 de out. de 2026, 09:47

NASA comemora mesmo após missão de US$ 30 milhões para salvar telescópio falhar

A espaçonave LINK, da Katalyst Space Technologies, perdeu o controle e não conseguiu resgatar o observatório Swift, que deve reentrar na atmosfera. A NASA diz que o aprendizado da tentativa valeu o risco assumido.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine mandar um robô pego por uma corda-bamba tentar agarrar, no espaço, um telescópio do tamanho de uma van que já está caindo — e falhar por pouco. Foi mais ou menos isso que aconteceu com a missão LINK, da Katalyst Space Technologies, startup americana de tecnologia espacial sediada em Flagstaff, no Arizona, contratada pela NASA para tentar salvar o Observatório Swift.

O que está confirmado

O Swift, oficialmente batizado de Neil Gehrels Swift Observatory em homenagem ao pesquisador principal da missão, falecido em 2017, é um telescópio espacial da NASA lançado em 2004 para detectar e estudar explosões de raios gama, os eventos mais energéticos do universo. Projetado para durar dois anos, operou por mais de duas décadas antes de começar a perder altitude.

Para tentar salvá-lo, a NASA fechou um contrato de US$ 30 milhões com a Katalyst, que teve apenas nove meses para projetar, construir e lançar a espaçonave LINK. O veículo foi lançado em julho a partir de um foguete Pegasus da Northrop Grumman, solto de um avião Lockheed TriStar a 40 mil pés de altitude sobre o Pacífico. O plano era a LINK acoplar ao Swift com braços robóticos e elevar sua órbita.

A missão não deu certo: a LINK perdeu dois de seus três volantes de reação, girou descontroladamente e teve comunicação intermitente com a Terra. A espaçonave reentrou na atmosfera em 25 de setembro, sem concluir o resgate. O Swift deve seguir o mesmo caminho e se desintegrar ao reentrar ainda este ano.

Mesmo assim, a agência tratou o episódio como um sucesso parcial. Jared Isaacman, administrador da NASA, afirmou que a agência deveria estar disposta a agir rápido e assumir riscos inteligentes quando o retorno potencial vale a pena, e que, mesmo não sendo o resultado buscado, isso não muda o motivo pelo qual a missão valeu a pena ser tentada.

O que ainda é hipótese

A NASA afirmou que a Katalyst ainda tentará se aproximar e fazer um rendezvous com o Swift para demonstrações de tecnologia que podem servir a futuras missões — mas não há confirmação de que isso ocorrerá antes da reentrada do telescópio.

Por que importa

O episódio testa um modelo que a NASA quer replicar: contratar empresas privadas para missões de resgate rápidas e baratas, mesmo sob risco alto de fracasso técnico.

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