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Ciência20 de ago. de 2026, 10:33

NASA desiste de resgatar telescópio Swift, que deve cair à Terra em 2026

Após a espaçonave de resgate entrar em giro descontrolado, NASA e a startup Katalyst Space Technologies encerraram a tentativa de salvar o observatório de raios gama Swift, que agora deve reentrar na atmosfera a partir de outubro.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine um telescópio do tamanho de um utilitário pequeno, orbitando a Terra havia mais de 20 anos, e que agora vai se despedaçar ao mergulhar de volta na atmosfera. É o destino confirmado do Neil Gehrels Swift Observatory, da NASA, depois que a missão criada para salvá-lo foi oficialmente cancelada.

O que foi confirmado

A NASA e a startup Katalyst Space Technologies anunciaram nesta quarta-feira (19) o cancelamento da tentativa de resgate do Swift. O plano previa que a espaçonave Link, da Katalyst, capturasse o telescópio e o empurrasse para uma órbita mais alta e estável, prolongando sua vida útil. A NASA havia pago US$ 30 milhões à empresa pela missão.

Segundo a Katalyst, a Link entrou em um giro descontrolado poucas semanas após o lançamento, no início de julho. Os controladores de voo conseguiram reduzir a rotação da espaçonave, mas problemas persistentes de posicionamento e apontamento inviabilizaram a manobra de captura, levando ao cancelamento da operação de resgate.

Por que o Swift importa

Em órbita desde 2004, o Swift passou mais de duas décadas monitorando alguns dos eventos mais violentos do universo, como explosões de raios gama e estrelas em colapso. Os instrumentos científicos do telescópio já haviam sido desligados em 2026 como parte das medidas para gerenciar sua descida.

A perda de altitude do satélite foi acelerada por um período de atividade solar intensa, que aumentou o arrasto atmosférico sobre a espaçonave — fenômeno que também afetou outros satélites em órbita baixa nos últimos anos.

O que vem a seguir

Com o resgate descartado, a reentrada não controlada do Swift não é esperada antes de outubro. A probabilidade de queda ainda em 2026 é considerada alta pelos responsáveis pelo monitoramento orbital do satélite, que deve se desintegrar majoritariamente ao entrar na atmosfera — o cenário mais comum para esse tipo de reentrada não controlada.

As declarações

O administrador da NASA, Jared Isaacman, comentou o desfecho: "Isso não é o resultado que estávamos perseguindo, mas não muda por que esta missão valia a pena tentar". Já o CEO da Katalyst, Ghonhee Lee, descreveu a operação como uma missão "ambiciosa", com "cronograma agressivo", montada em menos de um ano.

O que ainda é hipótese é a data exata e o local da reentrada — variáveis que dependem do comportamento da atmosfera superior e só devem ficar mais claras à medida que o Swift se aproximar do momento da queda.

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