
NASA escolhe Blue Origin para construir rede de comunicação em Marte
Contrato de até US$ 700 milhões prevê orbitador entregue até o fim de 2028 e rede operacional em Marte a partir de 2030, retransmitindo dados científicos e comunicações críticas de missões no planeta.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: um sinal de rádio de Marte até a Terra leva entre 4 e 24 minutos para chegar, dependendo de onde os dois planetas estão em suas órbitas. É tempo suficiente para qualquer missão em solo marciano ficar "surda" se não houver uma rede dedicada de comunicação lá em cima. É esse buraco que a NASA acabou de contratar a Blue Origin para tapar.
O que está confirmado
A NASA selecionou a Blue Origin como fornecedora da Mars Telecommunications Network, uma rede de telecomunicações para Marte, em contrato de preço fixo de até aproximadamente US$ 700 milhões. A informação está na fonte principal apurada, o Olhar Digital, e é confirmada pelo comunicado oficial da própria NASA.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Segundo a agência espacial americana, a Blue Origin ficará responsável por "projetar, desenvolver, integrar, lançar e operar" a estrutura. O núcleo do sistema será uma espaçonave de telecomunicações de alto desempenho em órbita de Marte, encarregada de retransmitir dados científicos, imagens, informações de navegação e comunicações críticas entre a Terra e as missões que operam na superfície e ao redor do planeta.
O cronograma tem dois marcos: o orbitador precisa ser entregue à NASA até 31 de dezembro de 2028, com o sistema operacional em Marte a partir de 2030. A rede será administrada dentro do programa Space Communications and Navigation (SCaN) da NASA.
Em nota oficial, a NASA descreveu a seleção como um "marco na estratégia da agência para expandir serviços de comunicação e navegação além da Terra e da Lua, estabelecendo a base para uma exploração sustentada de Marte" (tradução livre).
Foto: reprodução/nasa.gov
O que ainda é hipótese ou está em aberto
O valor de US$ 700 milhões é descrito pela NASA como teto máximo potencial do contrato — não necessariamente o custo final do projeto, que pode variar conforme o desenvolvimento avança. Também não há, nas fontes consultadas, detalhamento técnico sobre qual foguete lançará o orbitador nem sobre a capacidade de banda da futura rede.
Vale registrar o pano de fundo competitivo: segundo apuração do jornalista especializado em espaço Jeff Foust, a Blue Origin disputou a concorrência com a Rocket Lab antes de ser escolhida — dado que não consta na matéria do Olhar Digital, mas reforça que a decisão da NASA envolveu comparação entre propostas do setor privado.
Por que isso importa
Hoje, a comunicação com sondas e rovers em Marte depende de orbitadores mais antigos, alguns operando há mais de uma década. Com o número de missões marcianas previsto para crescer, a NASA aposta que uma rede dedicada, operada por uma empresa privada, é o caminho mais rápido para evitar um gargalo de dados a dezenas de milhões de quilômetros de distância da Terra.