
NASA libera 800 GB de dados e imagens inéditas da missão Artemis II
Pacote inclui mais de 11 mil fotos e vídeos e 8,5 horas de áudio da tripulação, incluindo cinco flashes de luz na Lua ainda sem explicação confirmada.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine quatro astronautas a 252.756 milhas da Terra, no ponto mais distante de toda a missão — e cada minuto dessa viagem registrado em dado, foto ou som, agora disponível pra qualquer pessoa baixar. É esse o tamanho do pacote que a NASA, agência espacial americana, acabou de publicar sobre a missão Artemis II: mais de 800 gigabytes de dados científicos, no site batizado "Artemis II: Sights and Sounds of Science".
O que está confirmado
O arquivo, hospedado no Planetary Data System — o repositório público da NASA para dados de missões planetárias —, reúne mais de 11 mil fotos e vídeos em resolução total, capturados pelas câmeras portáteis da tripulação e pela espaçonave Orion, além de 8,5 horas de gravações de áudio com observações científicas feitas em tempo real durante o voo. Há também imagens anotadas à mão pelos próprios astronautas e transcrições de comunicações — um nível de registro bruto que a agência descreve como o maior conjunto de dados de ciência planetária coletado majoritariamente por humanos em mais de 50 anos.
A missão foi o primeiro sobrevoo lunar tripulado da NASA desde a era Apollo: lançou em 1º de abril de 2026 do Kennedy Space Center, na Florida, e voltou em 10 de abril, com pouso na costa de San Diego. A tripulação — os americanos Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto) e Christina Koch, mais o canadense Jeremy Hansen, da agência espacial do Canadá — chegou a 4.067 milhas da superfície lunar na aproximação mais próxima, superando a marca de distância da Apollo 13.
O que ainda é hipótese
Entre o material liberado estão cinco flashes de luz tênues registrados na superfície lunar durante o sobrevoo, em 6 de abril, marcados pela própria tripulação nas imagens em vermelho, azul e verde. A explicação mais aceita até agora — mas não definitivamente comprovada — é que sejam impactos de pequenos fragmentos rochosos na Lua. Como os dados ficaram públicos, qualquer grupo de pesquisa pode tentar confirmar ou refutar essa hipótese de forma independente, o tipo de verificação cruzada que a ciência aberta permite.
Por que isso importa
Liberar o dado bruto, e não só o relatório final, é uma aposta da NASA em deixar universidades e pesquisadores fora da equipe da missão vasculharem o material em busca do que pode ter passado despercebido — inclusive sobre os misteriosos flashes que ainda não têm causa confirmada.