
NASA liga antena de 34 metros para destravar gargalo do espaço profundo
A Deep Space Station 23 entrou em operação em Goldstone, na Califórnia, e passa a dividir com as antenas maiores da NASA o tráfego crescente de mais de 40 sondas ativas no espaço profundo.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Trinta e quatro metros de diâmetro — quase a altura de um prédio de dez andares deitado, virado pro céu. Essa é a Deep Space Station 23 (DSS-23), a mais nova antena da Deep Space Network (DSN), a rede que a NASA usa para se comunicar com sondas fora da órbita da Terra. Instalada no complexo de Goldstone, no deserto da Califórnia, ela entrou em operação em 3 de agosto, quando fez seu primeiro rastreamento — do Observatório de Raios-X Chandra.
O gargalo que ela ajuda a resolver
Confirmado pela NASA: a rede está sobrecarregada. Mais de 40 espaçonaves ativas dependem da DSN para trocar dados com a Terra, e o programa Artemis, que quer levar astronautas de volta à Lua, tem prioridade nas janelas de comunicação — o que aperta ainda mais a agenda das antenas mais antigas, as gigantes de 70 metros. A DSS-23 tem metade do diâmetro delas, mas ajuda a esvaziar a fila ao assumir tráfego rotineiro, liberando as antenas maiores para as missões que exigem mais sensibilidade de sinal.
Quase duas décadas de obra
A nova antena é a quinta de seis previstas pelo Aperture Enhancement Project, projeto que a NASA iniciou em 2009 para reforçar a DSN com antenas de 34 metros nos três complexos da rede — Goldstone, Madri e Camberra. A sexta e última, a DSS-33, só deve entrar em operação em 2029, na Austrália. O histórico do projeto também mostra o preço de expandir esse tipo de infraestrutura: orçado em US$ 362,4 milhões em 2015, acabou custando US$ 706 milhões em 2023 — alta de 68% —, com cerca de cinco anos de atraso sobre o cronograma original.
O que ainda falta responder
A NASA não detalhou quanto da demanda represada a DSS-23 consegue absorver sozinha, nem como pretende evitar que o atraso e o estouro de orçamento se repitam na antena de Camberra. Com a corrida lunar e o tráfego de sondas comerciais em alta, a dúvida que fica é se seis antenas de 34 metros vão dar conta do recado — ou se a agência vai precisar de um novo projeto de ampliação antes mesmo de terminar este.