
NASA mantém volta à Lua em 2028 e cutuca programa espacial chinês
Em coletiva no Kennedy Space Center, Jared Isaacman detalhou como SpaceX e Blue Origin vão disputar o posto de levar astronautas à superfície lunar na Artemis 4, após um ensaio sem pouso em 2027.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Faz 54 anos que um ser humano deixou pegadas na Lua — Eugene Cernan, da Apollo 17, em dezembro de 1972. Nenhuma missão tripulada chegou perto da superfície lunar desde então. Na coletiva realizada em 23 de outubro de 2026 no Kennedy Space Center, na Flórida, o administrador da NASA, Jared Isaacman, confirmou que a agência pretende encerrar esse intervalo em 2028, com a missão Artemis 4.
O que está confirmado: o ensaio de 2027 não pousa na Lua
Antes disso, em 2027, vem a Artemis 3 — e aqui está o ponto que gera confusão: ela não vai pousar na Lua. Segundo a NASA, a missão, prevista para o terceiro trimestre daquele ano, será um ensaio em órbita baixa da Terra. Quatro astronautas embarcarão na cápsula Orion, lançada pelo foguete SLS, e vão acoplar com versões de teste dos módulos lunares (landers) desenvolvidos pela SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, e pela Blue Origin, companhia espacial fundada por Jeff Bezos. O objetivo é simplesmente verificar se Orion e os dois landers conseguem operar juntos com segurança.
O que é decisão futura: qual lander pousa em 2028
Só depois desses testes a NASA vai decidir qual dos dois veículos — a Starship, da SpaceX, ou o Blue Moon Mark 2, da Blue Origin — levará os astronautas da Artemis 4 até a superfície lunar. Os prazos dos pousos não tripulados também seguem como plano, não como fato consumado: a SpaceX pretende colocar uma Starship sem tripulação na Lua antes do fim de 2027, enquanto a Blue Origin mira o primeiro trimestre de 2028 para seu próprio teste não tripulado. Isaacman enquadrou a mudança de cronograma como uma forma de padronizar a abordagem entre os dois parceiros comerciais e reduzir o risco de atrasos em cascata, já que a NASA depende diretamente dos cronogramas de cada empresa.
A cutucada na China
O administrador também usou a coletiva pra comparar os programas espaciais dos dois países. Isaacman disse que a China viveu seu "momento John Glenn" — o primeiro voo orbital tripulado — há apenas 23 anos, em 2003, enquanto os Estados Unidos já haviam completado seis pousos tripulados na Lua naquela época. Ele reconheceu avanços recentes do país asiático, como a colocação de centenas de satélites em órbita, e mencionou que a China projeta seu próprio pouso lunar tripulado até 2030 — dois anos depois da meta atual da Artemis 4.