
NASA não consegue mover o braço robótico grande da ISS por enquanto
O Canadarm2 está funcionando normalmente, mas o carrinho que o transporta pela treliça da Estação Espacial Internacional passou a registrar erros de comunicação e ficou parado até nova ordem.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: o "braço" que não é o problema
O Canadarm2, o grande braço robótico canadense que serve de guindaste e andaime móvel na Estação Espacial Internacional (ISS), segue operando normalmente. O problema é o carrinho sobre o qual ele desliza ao longo da treliça principal da estação, conhecido como Mobile Transporter — e é esse componente que a NASA, por enquanto, não consegue mover com segurança.
O que está confirmado
Segundo a agência espacial americana, o transtorno apareceu depois de uma manobra de rotina chamada "walk-off", em que o Canadarm2 se desloca de um ponto de fixação para outro na estrutura da ISS. Após esse procedimento, engenheiros identificaram erros de comunicação em componentes que a NASA descreve como "não robóticos associados ao Mobile Transporter".
O carrinho está parado na posição chamada Worksite 6, e a agência decidiu não movê-lo de novo até entender a origem da falha. Enquanto isso, o Canadarm2 continua sendo usado normalmente para outras tarefas — inclusive para inspecionar a cápsula Dragon, da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, usada pela tripulação da missão Crew-12, como parte dos procedimentos antes do retorno à Terra.
O que é hipótese
A principal preocupação da NASA, em conjunto com a SpaceX, é verificar se a posição atual do Mobile Transporter pode causar interferência de GPS que atrapalhe a acoplagem de futuras cápsulas Dragon na porta frontal da estação. Ainda não há confirmação de que esse risco realmente existe — é uma hipótese que motiva a cautela em mover o carrinho antes de entender a causa dos erros de comunicação.
Por que isso importa
A agência afirma esperar resolver o problema antes do lançamento da missão Crew-13, o que sugere que não há, até o momento, uma crise operacional grave na estação. Mas o episódio reforça como a ISS depende de uma cadeia de sistemas interligados — e como um componente aparentemente coadjuvante, como o carrinho de um braço robótico, pode travar planejamento de acoplagens de espaçonaves inteiras até ser diagnosticado.