
NASA pede ideias para salvar o Hubble antes que ele caia do céu
Agência abriu RFI até 30 de novembro para propostas de reimpulso ou descarte controlado do telescópio, que perde altitude desde 2009 e pode reentrar na atmosfera já no início dos anos 2030.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: 35 anos em órbita, sem reboque desde 2009
A NASA publicou, em 29 de outubro, um Request for Information (RFI) — um pedido de ideias, não uma proposta vinculante — perguntando a empresas privadas como elas resolveriam três problemas do Telescópio Espacial Hubble: reimpulsioná-lo a uma órbita mais alta, melhorar seu desempenho, ou conduzi-lo a uma reentrada controlada e segura. O prazo para respostas é 30 de novembro.
O que é confirmado: o Hubble não recebe nenhum reboque orbital desde 2009, última vez que um ônibus espacial o visitou. Com a aposentadoria da frota de ônibus espaciais, em 2011, o telescópio ficou sem meio de repor a altitude que perde naturalmente por atrito com a atmosfera superior. A NASA pede que qualquer solução eleve o telescópio a pelo menos 600 km — hoje ele orbita a cerca de 474 km, bem abaixo do ponto de partida.
O que é hipótese: estudos do Space Telescope Science Institute, de julho, estimam reentrada mediana em algum momento de 2033, com 10% de chance de isso acontecer já em setembro de 2032. O artigo original da Ars Technica fala em "início a meados dos anos 2030" — uma janela, não uma data.
Esse não é o primeiro pedido do tipo: a NASA já tinha feito um RFI parecido em 2022, pouco depois de assinar um acordo com a SpaceX para estudar uma missão da Crew Dragon ao telescópio. Isso motivou o bilionário Jared Isaacman a oferecer financiar a missão pelo próprio bolso, via seu Programa Polaris — oferta que a NASA rejeitou formalmente em 2024, alegando que não lançaria uma missão comercial ou federal para isso naquele momento. Astroscale e Momentus, duas empresas especializadas em serviços orbitais, também já apresentaram conceitos de resgate à agência.
Em junho deste ano, o diretor de astrofísica da NASA, Shawn Domagal-Goldman, disse que a agência teria interesse em um reboost caso os custos operacionais do telescópio caíssem. O novo RFI é o primeiro passo concreto nessa direção — falta saber se, desta vez, alguma proposta efetivamente avança.
Atualização (01/11, 21:38): A NASA deu um passo além do simples pedido de ideias: a agência publicou, em 29 de outubro, uma Request for Information (RFI) convocando formalmente a indústria espacial comercial a apresentar propostas concretas para salvar o Hubble. O documento pede que empresas privadas indiquem como poderiam capturar o telescópio e elevá-lo a pelo menos 600 km de altitude — o que, segundo estimativas, poderia garantir mais cerca de 25 anos de operação —, realizar uma missão de manutenção para melhorar seu desempenho, ou conduzir uma reentrada controlada na atmosfera ao fim da vida útil do observatório.
Atualmente o Hubble orbita a cerca de 470 km da Terra e vem perdendo altitude gradualmente, já que não possui propulsão própria. As projeções da NASA indicam uma reentrada não controlada em 2033 ou 2034, e a agência quer que qualquer missão de resgate esteja pronta para voar até 2032. As respostas das empresas à RFI devem ser entregues até 30 de novembro. Uma RFI não é um contrato nem um compromisso de compra: a NASA está apenas sondando o interesse do mercado, os custos envolvidos e quem teria capacidade real de alcançar o telescópio a tempo.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que "o Hubble ainda tem ciência importante pela frente, e devemos buscar toda oportunidade razoável de mantê-lo entregando resultados por mais tempo", acrescentando que, havendo formas inovadoras e de bom custo-benefício de prolongar a vida de um ativo já em órbita, a agência "deve" explorá-las em respeito ao contribuinte americano e à comunidade científica.