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Ciência09 de out. de 2026, 10:54

NASA quer ao menos uma missão científica conjunta com a Europa, e aposta na LISA

A NASA sinalizou interesse em fechar pelo menos uma missão científica conjunta com a Agência Espacial Europeia, e a LISA, observatório espacial de ondas gravitacionais, aparece como principal candidata.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: a missão LISA vai colocar três espaçonaves voando em formação de triângulo, separadas por mais de 1 milhão de milhas umas das outras — distância suficiente para caber dezenas de vezes a órbita da Lua entre elas. É com essa régua gigantesca no espaço que a Agência Espacial Europeia (ESA) e a NASA pretendem captar ondulações no próprio tecido do espaço-tempo.

O que está confirmado

A LISA, sigla de Laser Interferometer Space Antenna, foi formalmente adotada pela ESA como missão e tem lançamento previsto para meados da década de 2030. O projeto é liderado pelos europeus, com a NASA contribuindo com componentes de alta tecnologia, como lasers e telescópios, e com parte do financiamento. O custo estimado da missão é de cerca de US$ 2 bilhões, dividido entre as duas agências.

Segundo reportagem do Ars Technica, a NASA está buscando ativamente fechar pelo menos uma missão científica conjunta com a Europa, e a LISA é vista internamente como a aposta mais forte. Um conselheiro científico sênior envolvido no planejamento orçamentário resumiu o interesse americano: estamos na era de gente interessada em fazer bons negócios, e a LISA é um negócio muito bom para os EUA, segundo a tradução da fala ao Ars Technica.

O que ainda é hipótese

O desenho final da divisão de custos e de propriedade dos dados entre NASA e ESA ainda está em negociação. Propostas orçamentárias da Casa Branca já tentaram cortar boa parte do apoio americano à missão, levando a ESA a desenvolver alternativas europeias para componentes que viriam dos EUA — um plano de contingência que mostra que a parceria, embora avançada, não está totalmente garantida.

Como a LISA vai funcionar

Ao contrário de detectores terrestres de ondas gravitacionais, que usam braços de poucos quilômetros, a LISA aproveita o vácuo do espaço para esticar sua régua de medição a escalas impossíveis na Terra. Isso deve permitir captar ondas gravitacionais de baixa frequência, geradas sobretudo por colisões de buracos negros supermassivos no centro de galáxias — eventos que os detectores atuais não conseguem captar.

Por que isso importa

Para a NASA, fechar esse acordo garante um papel de liderança em uma nova fronteira da astronomia — a observação do universo por ondas gravitacionais — dividindo o risco financeiro com um parceiro internacional, numa época de orçamento espacial mais apertado nos EUA.

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