
NASA refina medição de CO2 na atmosfera com satélites aprimorados
Novo algoritmo de processamento une dados dos satélites OCO-2 e OCO-3 em um único registro, mais consistente, de mais de uma década de observações de carbono.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagina mais de um milhão de fotos da luz do sol refletida pela Terra sendo tiradas todos os dias, só pra calcular quanto CO₂ existe no ar. É basicamente isso que os satélites da NASA fazem — e agora esse trabalho ficou mais preciso.
A agência espacial americana divulgou uma nova versão do algoritmo que processa os dados dos satélites OCO-2 (Orbiting Carbon Observatory-2) e OCO-3, usados para monitorar a concentração de dióxido de carbono na atmosfera terrestre.
Foto: reprodução/phys.org
O que está confirmado
O OCO-2 foi lançado em 2014 como satélite independente; o OCO-3, instalado na Estação Espacial Internacional em 2019, usa um instrumento sobressalente do primeiro. Juntos, os dois registram mais de um milhão de observações diárias da luz solar refletida pela superfície da Terra — número citado tanto pela NASA quanto por publicações científicas que detalham o novo processamento, segundo reportagens do Phys.org e da Eos, veículo da American Geophysical Union (AGU).
A atualização, batizada de ACOS versão 11, reprocessa toda a série histórica de dados — de setembro de 2014 até hoje — com calibração mais refinada dos instrumentos e melhor tratamento de interferências como nuvens, aerossóis e reflexo da luz solar sobre o oceano. O resultado é um registro único e mais consistente de mais de dez anos de medições de CO₂, descrito em artigo científico publicado na revista Earth and Space Science, da própria AGU.
Segundo o Phys.org e a Eos, os novos dados concordam mais de perto com medições feitas em estações terrestres de alta precisão do que a versão anterior do algoritmo — mas nenhuma das fontes consultadas divulgou um número exato de ppm (partes por milhão) de melhoria na precisão.
O que ainda não dá pra afirmar
A NASA não quantificou publicamente o ganho de precisão em partes por milhão, nem detalhou se o novo processamento já permite identificar focos de emissão em escala de cidade — um objetivo de longo prazo da missão, mas que não é um resultado já confirmado neste anúncio. O que está estabelecido é a ampliação e a padronização da série histórica: mais de uma década de dados agora tratados com o mesmo critério, do começo ao fim.