
NASA reverte cortes e recontrata 7.500 ex-terceirizados como servidores
Sob diretiva do administrador Jared Isaacman, a agência espacial americana está convertendo milhares de vagas terceirizadas em cargos de servidor público. A medida já gera demissões em empresas contratadas, como a Amentum.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: quase dois Maracanãs lotados de gente trocando de crachá dentro da mesma agência
A NASA confirmou que está convertendo cerca de 7.500 postos de trabalho hoje ocupados por terceirizados em cargos de servidor público (civil servant), segundo apuração do site especializado Ars Technica. A mudança nasce de uma diretiva interna assinada pelo administrador da NASA, Jared Isaacman — empresário e ex-astronauta particular que comandou as missões Inspiration4 e Polaris Dawn antes de assumir a agência em dezembro de 2025.
O que está confirmado
A diretiva, emitida em fevereiro deste ano, instruiu os diretores de cada centro da NASA a mapear funções técnicas e operacionais hoje terceirizadas e propor a conversão dos cargos considerados competências essenciais para o quadro efetivo da agência. Em nota pública, Isaacman resumiu o raciocínio afirmando que voltar à Lua significa voltar ao básico, e que a NASA precisa recuperar suas competências essenciais em excelência técnica, de engenharia e operacional.
Segundo o próprio Isaacman, a NASA opera hoje com cerca de 14 mil servidores públicos e mais de 42 mil terceirizados em tempo integral — uma proporção que a diretiva classifica como desequilibrada. A aposta da gestão é que trazer parte desse contingente para dentro de casa recupere know-how técnico perdido e, ao mesmo tempo, economize cerca de US$ 1 bilhão por ano em custos indiretos hoje pagos a empresas contratadas.
O movimento é também uma resposta a uma sangria de pessoal: ao longo de 2025, quase 4 mil servidores da NASA deixaram a agência por programas de aposentadoria antecipada e demissão voluntária oferecidos pelo governo americano. Isaacman já rebateu publicamente quem comparou esse êxodo a 22% da força de trabalho da agência, argumentando que a conta mistura categorias diferentes de pessoal.
O plano prevê ações em 30 e 60 dias: primeiro, mapear quais funções terceirizadas são estratégicas o bastante para internalizar; depois, montar uma estratégia de contratação acelerada, incluindo captação de talentos de universidades e indústria e criação de espaços de prototipagem rápida dentro dos centros da NASA.
Efeito colateral já visível
A conversão já tem consequência prática no mundo real: a Amentum — companhia que presta serviços de operação de base e suporte de infraestrutura no Kennedy Space Center, na Flórida — vai demitir 70 funcionários até 30 de novembro, justamente porque a NASA decidiu assumir internamente tarefas antes terceirizadas a ela. As vagas cortadas incluem técnicos de engenharia, engenheiros eletricistas e condutores de teste; 14 delas são representadas por sindicato. Em contrapartida, o Kennedy Space Center já recebeu novos servidores públicos contratados neste processo de internalização.
O que é leitura, não fato
A proporção exata de quantos dos 7.500 cargos já foram efetivamente convertidos até hoje, centro por centro, não está detalhada nas fontes consultadas — o número de 7.500 representa a meta identificada pela diretiva, não necessariamente contratações já concluídas. Também não há confirmação pública de cronograma fechado para a conclusão total do processo.