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Ciência15 de out. de 2026, 09:34

NASA vai investigar buraco na Lua que pode levar a uma caverna

Missão GIMLI vai usar radar, sensores sísmicos e gravímetro para descobrir se um buraco de 65 por 90 metros na Lua se conecta a um tubo de lava subterrâneo. Nada ainda foi confirmado: por ora, é só uma hipótese científica a ser testada.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um buraco do tamanho de um estádio

Imagine um buraco com profundidade equivalente a um prédio de 15 andares e largura suficiente para engolir um campo de futebol inteiro. É isso que a Lua escondeu em pleno Oceanus Procellarum, uma das regiões mais vulcânicas do satélite: o chamado Marius Hills Pit, uma abertura de aproximadamente 65 por 90 metros que intriga cientistas há anos.

A NASA selecionou a missão GIMLI (Geophysical Instruments for Marius Lunar pit Investigation, sigla que batiza o projeto em referência ao anão de Tolkien que adora cavernas) para investigar essa abertura de perto. A missão é liderada pelo Planetary Science Institute (PSI), com instrumentos construídos pela Honeybee Robotics, dentro do programa de cargas científicas da NASA para a superfície lunar.

Foto: reprodução/spectrum.ieee.org

O que já é fato

Até aqui, o que está confirmado é a existência física do buraco, suas dimensões aproximadas e a seleção oficial da missão pela NASA. Também é fato que a GIMLI vai usar um conjunto de instrumentos para mapear o subsolo: radar de penetração no solo, sensores sísmicos, um gravímetro (que mede variações no campo gravitacional) e câmeras para fotografar a superfície e as paredes expostas da cratera. Os equipamentos devem viajar a bordo de um módulo de descida e um rover fornecidos por empresas privadas, dentro do programa de Serviços Comerciais de Carga Lunar (CLPS) da própria NASA. Ainda não há data de lançamento confirmada.

O que é hipótese

A ideia de que o buraco se conecta a um tubo de lava subterrâneo, formado por atividade vulcânica no passado da Lua, é a hipótese central que a missão foi desenhada para testar — não um fato estabelecido. Os cientistas também especulam que, caso essas cavidades existam, elas poderiam funcionar como abrigo natural para futuros astronautas, protegendo-os contra radiação espacial e variações extremas de temperatura. Nenhuma dessas possibilidades foi comprovada: é justamente para responder a essas perguntas que o radar e os sensores sísmicos da GIMLI serão usados, buscando ecos e vibrações que indiquem a presença de um vazio maior abaixo da superfície.

Se a hipótese se confirmar, a descoberta ajudaria a reconstruir a história vulcânica da Lua e abriria caminho para planos mais concretos de bases lunares subterrâneas em futuras missões humanas.

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