
Navi capta US$ 100 mi da Prosus e prepara IPO após 8 anos sem sócio externo
A fintech indiana de Sachin Bansal, cofundador da Flipkart, recebeu seu primeiro aporte institucional externo em oito anos de história — um cheque de US$ 100 milhões da Prosus que chega às vésperas de um IPO de US$ 314 milhões na Índia.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 100 milhões que destravam uma história de independência
Oito anos depois de fundada, a fintech indiana Navi finalmente abriu o capital para um sócio de fora. A Prosus investiu US$ 100 milhões na empresa de Sachin Bansal, cofundador da Flipkart — o primeiro aporte institucional externo da companhia, que até aqui cresceu no bolso do próprio fundador. Bansal chamou o cheque de "forte endosso" à instituição financeira que a Navi vem construindo, destacando o valor da perspectiva global da Prosus. O negócio ainda depende de aprovações regulatórias e das condições de fechamento habituais.
O múltiplo que encolheu
O aporte avalia a Navi em cerca de US$ 1,3 bilhão — patamar abaixo dos US$ 2 bilhões que a empresa mirava em uma tentativa de captação em 2024. A compressão de valuation acompanha um capítulo turbulento: em 2022, a Navi já havia arquivado pedido de IPO buscando US$ 440 milhões, plano abandonado em 2023 em meio à retração do mercado. Agora a empresa volta à carga com uma oferta menor, de até ₹30 bilhões (cerca de US$ 314 milhões), com todas as ações sendo novas — sem venda de participação por acionistas atuais.
Quem é Sachin Bansal
Bansal cofundou a Flipkart em 2007 e deixou a companhia em 2018, pouco antes da venda para o Walmart por US$ 16 bilhões, a maior aquisição do setor de e-commerce até hoje. No mesmo ano, fundou a Navi e injetou centenas de milhões do próprio bolso no negócio, que reúne pagamentos digitais, empréstimos, seguros e fundos mútuos.
Números que sustentam a aposta
No ano fiscal encerrado em março de 2026, a Navi faturou ₹30,91 bilhões (cerca de US$ 323,33 milhões) e teve prejuízo líquido de ₹4,66 bilhões (US$ 48,74 milhões) — mas já reportou lucratividade consolidada no quarto trimestre. No mercado de pagamentos via UPI, o app da Navi é o quarto maior do país, atrás de PhonePe (do Walmart), Google Pay e Paytm, tendo processado 947 milhões de transações em julho, somando ₹483,18 bilhões (US$ 5,05 bilhões). Já o braço de crédito, a Navi Finserv, tem ₹130 bilhões (US$ 1,4 bilhão) em ativos sob gestão.
Quem ganha e quem perde
A Prosus ganha exposição a um dos poucos unicórnios indianos de fintech ainda sem investidor institucional relevante, apostando na virada para lucratividade antes do IPO. Bansal ganha fôlego de capital e validação externa às vésperas de voltar ao mercado de ações — depois de dois planos de abertura de capital frustrados. Quem sai em desvantagem é o próprio histórico de avaliação da empresa: de US$ 2 bilhões pretendidos em 2024 para US$ 1,3 bilhão agora, o desconto mostra que investidores seguem cautelosos com fintechs indianas de crédito ao consumidor, mesmo com a Navi mostrando lucro trimestral e escala relevante em UPI.