
Neko Health capta US$ 700 mi e chega aos EUA com corrida por scanners do corpo
A startup sueca de Daniel Ek, cofundador do Spotify, agora vale quase US$ 7 bilhões e abre clínicas em Nova York, num mercado de saúde preventiva que já atrai Midjourney e Function Health.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 700 milhões e uma fila de espera
US$ 700 milhões. Foi esse o cheque que a Neko Health, startup sueca de scanners corporais fundada por Daniel Ek, cofundador do Spotify, levantou em rodada Series C liderada pela Lightspeed Venture Partners e co-liderada pela O.G. Venture Partners, anunciada em 15 de julho de 2026. O aporte elevou a avaliação da empresa a quase US$ 7 bilhões — cerca de quatro vezes o valor de janeiro de 2025, quando a Neko havia levantado US$ 260 milhões avaliada em US$ 1,8 bilhão.
Com o caixa reforçado, a empresa deixa de ser fenômeno local — hoje opera oito clínicas na Suécia e no Reino Unido — para abrir sua primeira unidade nos Estados Unidos, em Nova York, ainda neste ano. Segundo reportagem do TechCrunch, Ek já usa a demanda represada na Europa como argumento de venda: mesmo em países com saúde pública gratuita, "centenas de milhares de pessoas" entram em fila para pagar pelo exame, que combina ressonância, eletrocardiograma e análise de pele para criar um mapa corporal do usuário em poucos minutos.
Quem entra na disputa por saúde preventiva
O salto de avaliação da Neko Health escancara o apetite de investidores por "preventive healthcare tech" — exames de corpo inteiro vendidos como assinatura de bem-estar, fora do sistema tradicional de saúde. E a companhia de Ek não está sozinha na corrida.
A Midjourney, até então conhecida apenas por sua ferramenta de geração de imagens por inteligência artificial, anunciou a Midjourney Medical: um scanner de ultrassom de corpo inteiro que promete resultados em cerca de 60 segundos, sem radiação nem ímãs, com plano de abrir uma primeira "spa de bem-estar" em São Francisco em 2027 e ambição de instalar 50 mil scanners pelo mundo.
Já a Function Health, startup americana de exames preventivos que também capitalizou pesado nos últimos anos, comprou a Ezra, empresa de ressonâncias de corpo inteiro, e passou a oferecer um exame de 22 minutos por US$ 499 — bem abaixo dos US$ 1.500 cobrados antes pela Ezra em um exame que levava uma hora.
Quem ganha e quem sai perdendo
No curto prazo, quem ganha são os pacientes dispostos a pagar por diagnóstico precoce fora da fila do sistema público ou dos planos de saúde tradicionais — e os investidores que embarcaram cedo nessas rodadas bilionárias. No médio prazo, a pressão de preço puxada pela Function Health e a entrada de um player com escala de capital e marketing como a Midjourney tendem a espremer margens de quem não conseguir diluir o alto custo de hardware médico proprietário. Quem corre risco de ficar para trás são os sistemas de saúde tradicionais e seguradoras, pressionados a responder a uma nova expectativa de consumidor: exame rápido, visual, parecido com ida a uma clínica de estética — não com uma consulta médica convencional.