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Smart CitiesMercado04 de ago. de 2026, 10:52

NEOM encolhe: Arábia Saudita pagará US$ 16 bi para cancelar contratos da megacidade

Orçamento 2026-2030 reserva mais dinheiro para rescindir contratos do que para construir; The Line está paralisada e projeto pode virar polo de data centers.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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O projeto de cidade futurista mais ambicioso do mundo está em plena marcha a ré. Reportagem exclusiva do Semafor, publicada em 7 de junho de 2026 pelo chefe do escritório do veículo na Arábia Saudita, Matthew Martin, revelou que o orçamento da NEOM para o período 2026-2030 inclui 60 bilhões de riais (cerca de US$ 16 bilhões) em pagamentos previstos a empreiteiras — não para construir, mas para rescindir contratos de longo prazo.

The Line congelada

Segundo a reportagem, a construção da The Line — o par de arranha-céus espelhados que se estenderia da costa do Mar Vermelho para dentro do deserto — foi interrompida e não deve receber novos aportes até depois de 2030. O reino já gastou US$ 64 bilhões na NEOM desde o anúncio do projeto, em 2017, e o valor reservado para cancelamentos representa mais de um terço do déficit orçamentário projetado do governo saudita para 2026.

Entre as rescisões recentes estão contratos com a espanhola Webuild (trem de alta velocidade), a malaia Eversendai e a sul-coreana Hyundai Engineering & Construction. A Newsweek reportou ainda que as autoridades passaram a projetar menos de 300 mil moradores na região até o fim da década — muito distante da visão original de uma metrópole de milhões de habitantes movida a IA e energia limpa.

De cidade do futuro a polo de data centers

O redirecionamento de recursos tem destino claro: defesa, investimentos em inteligência artificial e a infraestrutura da Expo 2030 e da Copa do Mundo de 2034. Nesse contexto, o Data Center Dynamics reportou que a NEOM pode ser redesignada como um hub de data centers, aproveitando o acordo fechado em fevereiro de 2025 com a DataVolt para desenvolver um campus de "fábrica de IA" em Oxagon, a cidade industrial do projeto.

Para o movimento global de smart cities, o caso NEOM funciona como advertência: cidades inteligentes construídas do zero, desconectadas de demanda real, enfrentam limites econômicos que nem o maior fundo soberano do mundo consegue ignorar. O contraste com abordagens incrementais — sensorização e gestão de dados em cidades existentes — nunca foi tão evidente.

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