
Netflix aumenta preços no Brasil em até 23,9%; Premium vai a R$ 71,90
A Netflix reajustou todos os planos de assinatura no Brasil, com alta de até 23,9% no plano com anúncios. O Premium passa a custar R$ 71,90 por mês, o primeiro aumento da plataforma no país desde maio de 2024.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O reajuste chegou e passou dos R$ 70
A Netflix subiu os preços de todos os seus planos de assinatura no Brasil nesta quinta-feira (15/10), com o reajuste mais agressivo chegando a 23,9% no plano de entrada. O Padrão com anúncios, a opção mais barata do catálogo, saltou de R$ 20,90 para R$ 25,90 por mês. Já o plano Premium, o mais completo, passou de R$ 59,90 para R$ 71,90 — alta de cerca de 20% e o primeiro valor da história da empresa no país a superar a marca de R$ 70.
O plano Padrão, sem anúncios e limitado a duas telas simultâneas, teve reajuste intermediário: foi de R$ 44,90 para R$ 51,90, uma variação de 15,6%. Com isso, os três planos oferecidos pela Netflix no Brasil ficaram mais caros, numa movimentação que a empresa não fazia desde maio de 2024, quando os preços haviam subido por volta de 12%.
Quem perde e por quê
O momento do anúncio chama atenção: o reajuste chega um dia depois de a Netflix confirmar uma onda de demissões que afeta cerca de 6% do quadro global de funcionários, segundo apuração do Olhar Digital. A companhia não divulgou uma justificativa oficial detalhada para o aumento de preços no Brasil, mas reportagens citam que a medida acompanha reajustes já aplicados nos Estados Unidos ao longo de 2026.
Para a Netflix, o movimento deve reforçar a receita por assinante em um momento de maior pressão por rentabilidade, especialmente após o plano com anúncios — que também é o mais barato — ter recebido o maior reajuste percentual entre os três. Isso sugere uma estratégia de monetização mais agressiva justamente na camada de entrada, criada para atrair o público mais sensível a preço.
Quem perde, no curto prazo, é o consumidor brasileiro, que volta a pagar mais por um serviço que já havia ficado mais caro em 2024. O plano Premium, por exemplo, passa a custar R$ 144 a mais por ano para quem mantém a assinatura.
Netflix no radar da concorrência
O aumento reabre a discussão sobre a posição de preço da Netflix frente a concorrentes como Disney+, Amazon Prime Video e HBO Max, sobretudo após a fusão entre Paramount Skydance e ativos da Warner Bros. Discovery reorganizar o mercado de streaming. Segundo informações veiculadas pelo setor, assinantes atuais recebem aviso por e-mail cerca de um mês antes de o novo valor passar a ser cobrado, prática já adotada pela Netflix em reajustes anteriores. Novos assinantes, por sua vez, já contratam os planos pelos valores atualizados.
Atualização (16/10, 06:47): A Netflix anunciou, em comunicado interno enviado por e-mail pelos co-CEOs Greg Peters e Ted Sarandos, o corte de cerca de 1.000 vagas — aproximadamente 6% da força de trabalho global da empresa, que encerrou 2025 com cerca de 16 mil funcionários em tempo integral. As demissões, divulgadas em 14 de outubro, atingem principalmente as áreas de produto, tecnologia, recursos humanos e jurídico, e representam o maior corte de pessoal da companhia desde 2022.
O anúncio das demissões ocorreu apenas um dia antes de o novo reajuste de preços entrar em vigor no Brasil, elevando o plano Premium a R$ 71,90 por mês. A Netflix não comentou diretamente a coincidência de datas quando procurada pela imprensa, mas reforçou, em nota sobre os preços, que segue investindo em entretenimento de qualidade. Dias antes, Sarandos já havia reconhecido, em conferência da Bloomberg, que a empresa "não está crescendo tão rápido" quanto gostaria.