
Netflix demite 1.000 e afasta chefe de conteúdo em crise interna
A Netflix cortou cerca de 1.000 vagas em produto, tecnologia e jurídico e afastou Bela Bajaria do comando de conteúdo. Os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters disseram a investidores que a empresa segue em trajetória de crescimento.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Mil vagas cortadas em meio a turbulência interna
A Netflix demitiu cerca de 1.000 funcionários, o equivalente a 6% de sua força de trabalho, no maior corte de pessoal da empresa em aproximadamente quatro anos. As demissões atingiram as áreas de produto, tecnologia e jurídico, além de equipes de RH, comunicação, marketing e setores do próprio braço de conteúdo, tanto do lado de séries quanto de filmes.
O corte de pessoal não veio isolado. Na mesma semana, a Netflix afastou Bela Bajaria, que ocupava o cargo de diretora de conteúdo (Chief Content Officer) havia quase dez anos e era considerada uma das executivas mais poderosas de Hollywood. Também saíram o chefe da divisão de filmes, Dan Lin, seu principal subordinado, Doug Belgrad, e a diretora de séries originais, Carolina Garcia.
Peter Rice assume o comando global de conteúdo
No lugar de Bajaria, a Netflix nomeou Peter Rice, ex-executivo da Disney e da Fox, para o cargo de diretor de conteúdo global a partir de 26 de outubro. Rice vai supervisionar toda a organização de conteúdo da empresa — séries roteirizadas e não roteirizadas, filmes e eventos ao vivo — em todas as regiões, além de assumir interinamente a divisão de cinema até que um sucessor definitivo de Dan Lin seja indicado.
Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, defendeu a escolha dizendo que Rice é "a pessoa certa para liderar esses esforços nos Estados Unidos e no mundo", destacando a experiência do executivo em relações com talentos. Sobre a saída da equipe anterior, Sarandos reconheceu: "Sei que poderíamos fazer melhor, e queremos construir sobre esse momento."
CEOs tentam conter a preocupação de investidores
As mudanças ocorrem num momento de pressão sobre a Netflix, que lida com desaceleração do crescimento de receita e resultados abaixo do esperado em publicidade. Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre, os dois co-CEOs tentaram tranquilizar o mercado.
Greg Peters, co-CEO da empresa, afirmou que a companhia tem "responsabilidade de fazer escolhas difíceis em serviço de seus membros, parceiros, funcionários, investidores e, em última instância, de seu crescimento de longo prazo". Peters também disse que o "engajamento é sólido" e permitirá que a Netflix continue crescendo como nos últimos anos, citando retenção saudável de assinantes em todas as regiões.
Já Sarandos reforçou o posicionamento estratégico da empresa: "Lembrando, somos um negócio de streaming em primeiro lugar. Esse é nosso núcleo."
Para o mercado de streaming, o episódio sinaliza que mesmo a líder do setor não está imune a cortes de custos e disputas internas por resultado, justamente quando a concorrência por conteúdo e assinantes se intensifica.