
Netflix fecha Night School e Moonloot e reduz aposta em estúdios próprios
A gigante do streaming vai encerrar a Night School Studio, criadora de Oxenfree, e a finlandesa Moonloot, semanas depois de lançar o game Unhinged. A decisão marca uma virada de rota nos games da Netflix, agora focada em títulos infantis, party games e nomes mainstream.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Netflix desiste de mais dois estúdios internos
A empresa confirmou o fechamento da Night School Studio, estúdio de Los Angeles responsável pela série Oxenfree, e da Moonloot, estúdio finlandês fundado em 2022. As informações foram apuradas originalmente pelo Game File e confirmadas por veículos como Variety, Kotaku e Game Developer.
O timing dói: a Night School lançou há apenas seis semanas o Unhinged, um jogo de terror em primeira pessoa de curta duração pensado para rodar direto na TV via streaming em nuvem. Ou seja, a empresa matou o estúdio logo depois de colocar no ar seu projeto mais ambicioso até aqui. A Moonloot, por sua vez, não tinha nenhum jogo anunciado publicamente, mas segundo apuração da imprensa especializada estaria trabalhando em algo no estilo Animal Crossing.
Foto: reprodução/gamedeveloper.com
Quem paga a conta
A Netflix adquiriu a Night School em 2021, movimento que na época foi lido como o primeiro grande passo da empresa rumo a se tornar uma potência própria em games, e não só uma vitrine de terceiros. Cinco anos depois, esse plano está sendo desmontado. A empresa também está cortando vagas em times internos de desenvolvimento, embora um porta-voz tenha se recusado a informar quantas pessoas serão afetadas ao todo.
Foto: reprodução/theverge.com
É o tipo de notícia que pesa duas vezes: para quem trabalhava nesses estúdios, que via ali um projeto de longo prazo dentro de uma gigante do streaming, e para a comunidade de jogadores, que agora vê Oxenfree — um dos jogos indie mais queridos da década passada — ficar sem futuro claro dentro da casa.
Para onde vai a estratégia
Segundo a Netflix, a ideia agora é "ser mais focada na execução", priorizando jogos infantis, party games e títulos com apelo mainstream. Na prática, isso significa menos apostas em produção própria autoral e mais parcerias externas, além de um movimento para tirar o foco do mobile e levar os jogos para TVs e PCs, usando o celular como controle.
Faz sentido do ponto de vista de negócio, mas é difícil não notar o padrão: mais uma vez, um estúdio talentoso e um projeto recém-lançado viram estatística de reestruturação corporativa antes mesmo de ter a chance de provar seu valor.