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Mercado20 de out. de 2026, 19:03Atualizada em 21 de out. de 2026, 00:52

Netflix perdeu um terço do engajamento, mas aposta tudo na monetização

Horas de visualização por membro da Netflix caíram de 66 para 49 horas mensais entre 2023 e 2026, mas a empresa diz que a conta que importa agora é a receita por hora assistida, não o volume de horas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

A Netflix fechou o terceiro trimestre de 2026 com receita de US$ 12,87 bilhões, alta de 11,8% em relação a um ano antes — o ritmo de crescimento mais lento em três anos. O lucro líquido somou US$ 3,66 bilhões, com lucro por ação de US$ 0,87, acima da estimativa de US$ 0,82. Os números vieram dentro do esperado por Wall Street, mas não foram o centro das atenções.

O que pesou foi o engajamento. Segundo estimativas do banco Jefferies, o tempo médio de visualização mensal por membro caiu de cerca de 66 horas no primeiro semestre de 2023 para aproximadamente 49 horas no mesmo período de 2026 — uma queda de quase um terço. No terceiro trimestre, os cancelamentos de assinaturas nos Estados Unidos subiram 16,6% em relação ao ano anterior, o dobro do ritmo dos três trimestres anteriores, e os downloads do aplicativo nos EUA e no Canadá recuaram 20%.

A defesa da Netflix

Na carta aos acionistas, a empresa reconheceu a preocupação dos investidores, mas tentou neutralizá-la: "sabemos que há alguma preocupação dos investidores sobre o crescimento das horas assistidas", mas o engajamento — que abrange quantidade, qualidade e variedade de visualização — "permanece saudável". O argumento central é que não existe relação linear entre horas vistas e receita, porque, como resumiu o co-CEO Greg Peters, "nem todas as horas são criadas iguais" — citando eventos ao vivo, como o jogo da NFL em Melbourne, como exemplos de conteúdo que gera receita desproporcional ao tempo consumido.

A estratégia anunciada para os próximos trimestres tem três frentes: mais valor de entretenimento (séries, filmes e eventos ao vivo exclusivos), tecnologia para melhorar a experiência do serviço e, à frente das duas, melhorar a monetização.

Quem ganha e quem perde

A publicidade é a aposta mais concreta: a receita de anúncios deve chegar a US$ 2,7 bilhões em 2026, ainda o dobro do ano anterior, mas abaixo da projeção anterior de US$ 3 bilhões — um sinal de que nem tudo está indo conforme o plano. Os reajustes de preço aplicados em 2026 tiveram resposta dos assinantes dentro do esperado, segundo a empresa, o que sustenta a tese de monetizar mais com menos crescimento de audiência.

Quem sai perdendo no curto prazo é o próprio investidor: a previsão de receita para o quarto trimestre, US$ 13,44 bilhões, ficou abaixo do consenso de US$ 13,51 bilhões, e as ações caíram cerca de 5% no after-hours, aprofundando uma queda que já passava de 25% no acumulado de 2026. O trimestre também veio marcado por cerca de 1.000 demissões e pela saída da chefe de conteúdo Bela Bajaria, substituída por Peter Rice — mudanças que mostram que a Netflix sente a pressão, mesmo tentando convencer o mercado do contrário.


Atualização (21/10, 00:52): A Netflix divulgou nesta terça-feira (20) o balanço do terceiro trimestre de 2026, e os números mostram que a dificuldade em reter a atenção do público não impediu lucros recordes. A empresa registrou lucro líquido de US$ 3,66 bilhões (cerca de R$ 19,8 bilhões), alta de 43,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a receita somou US$ 12,87 bilhões (cerca de R$ 69,5 bilhões), crescimento de cerca de 12% entre julho e setembro — o menor ritmo de expansão em quase três anos.

Mesmo com o resultado financeiro positivo, as ações da Netflix caíram mais de 5% nas negociações após o fechamento do mercado, chegando a recuar até 7% em alguns momentos. A queda reflete a preocupação dos investidores com o crescimento mais lento da audiência, sobretudo nos mercados dos Estados Unidos e do Canadá, além da redução da projeção de receita publicitária da empresa para 2026, de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões. A própria Netflix reconheceu o problema, afirmando saber que "há alguma preocupação dos investidores com o crescimento das nossas horas de visualização", e o co-CEO Ted Sarandos disse que a companhia precisa de "uma execução melhor nos Estados Unidos".

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