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Ciência05 de out. de 2026, 09:46

Névoa de Vênus intrigava cientistas há 50 anos; estudo japonês explica

Modelo microfísico de pesquisadores da Universidade de Tohoku sugere que a névoa baixa da atmosfera de Vênus é formada por poeira cósmica misturada ao ácido sulfúrico das nuvens do planeta.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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A escala do mistério

Pra escala humana: a névoa que intriga cientistas fica entre a superfície e 47 quilômetros de altitude na atmosfera de Vênus — abaixo da camada principal de nuvens, que vai de 47 a 70 km. Ela foi detectada por sondas espaciais ainda na década de 1970 e ficou sem explicação por mais de 50 anos.

Um estudo publicado em abril na revista científica Nature Astronomy, assinado por pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão — Hiroki Karyu, Takeshi Kuroda e Naoki Terada —, em parceria com o Instituto Real Belga de Aeronomia Espacial (BIRA-IASB, centro de pesquisa da Bélgica dedicado à física da atmosfera e do espaço), propõe uma resposta: poeira cósmica.

O que está confirmado

Segundo o modelo microfísico desenvolvido pela equipe, partículas de meteoros queimam continuamente na alta atmosfera de Vênus e viram grãos minerais nanométricos. Esses grãos ficam incorporados nas nuvens de ácido sulfúrico do planeta e, ao descerem para a atmosfera mais quente — abaixo dos 47 km —, o ácido sulfúrico evapora. O que sobra são núcleos minerais sólidos, que colidem e se aglutinam até formar a camada de névoa observada pelas sondas.

O que ainda é hipótese

A equipe japonesa sugere que elementos metálicos presentes nessa poeira, como o ferro, podem explicar outro enigma de Vênus: um "absorvedor ultravioleta" não identificado que afeta o equilíbrio energético do planeta e ajuda a explicar por que sua atmosfera retém tanto calor. Essa conexão, porém, ainda não foi comprovada — é a próxima pergunta que o grupo pretende investigar, segundo o estudo.

A descoberta é mais um capítulo da tentativa de entender por que Vênus, do tamanho da Terra, se tornou um ambiente tão hostil, com temperatura de superfície acima de 460°C e pressão atmosférica 90 vezes maior que a terrestre.

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