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Mercado01 de set. de 2026, 22:56

Projeto capta US$ 9 milhões para injetar hidrogênio em navios cargueiros

Startup israelense-americana levanta rodada seed de US$ 9 milhões após teste de 8.500 milhas náuticas entre Singapura e Gana, com sistema de retrofit que promete economizar até US$ 500 mil por ano em combustível — sem passar por dique seco.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 9 milhões é o valor da aposta em hidrogênio para descarbonizar o transporte marítimo

A Newlight fechou uma rodada seed de US$ 9 milhões para expandir um sistema de injeção de hidrogênio que promete reduzir em até 24% o consumo de combustível de navios cargueiros a diesel — sem exigir dique seco para instalação. O aporte reúne nomes como lomarlabs (braço de venture da armadora Lomar Shipping), BIRD Energy (joint venture entre o Departamento de Energia dos EUA e o Ministério de Energia de Israel), além dos fundos Undeterred Capital, CiRi Ventures e Fusion VC.

O teste que sustenta a tese

A validação comercial veio de uma viagem de 8.500 milhas náuticas entre Singapura e Gana, a bordo de um bulk carrier de 650 pés (199 metros) da Lomar Shipping, ao longo de cerca de um mês. O resultado: redução de 24% no consumo de combustível e 28% nas emissões de CO₂, segundo a startup. A economia projetada chega a US$ 500 mil por ano em algumas embarcações — um número que fala diretamente ao bolso de armadores pressionados por custo de bunker e por metas de emissões cada vez mais rígidas no setor.

Como funciona

O sistema, criado pelos cofundadores Haran Cohen Hillel (CEO) e Evyatar Cohen, ex-oficiais da Marinha israelense, monitora o motor diesel em nível de milissegundos — temperatura de escape, pressão de combustão e pressão de entrada de ar — e injeta hidrogênio em pequenas quantidades pela admissão de ar, com um modelo de machine learning ajustando o fluxo em tempo real. A promessa comercial central é o retrofit: instalação em menos de duas semanas, sem tirar o navio de operação para obras em dique seco, o que reduz drasticamente o custo de adoção frente a soluções que exigem reengenharia completa do motor.

Quem ganha e quem perde

Os primeiros beneficiados são armadores de frotas antigas a diesel, que ganham uma rota de descarbonização incremental sem o investimento pesado de trocar motores ou combustíveis inteiros — a Newlight já tem contratos assinados para instalar o sistema em 12 navios de múltiplas empresas, com expansão de frota prevista para o próximo ano. A Lomar Shipping, além de investidora, também é cliente-piloto, o que lhe garante acesso preferencial à tecnologia. Do outro lado, ficam sob pressão os fornecedores de combustíveis alternativos mais caros (metanol, amônia) e os fabricantes de motores que apostam em substituição total do powertrain: se o retrofit da Newlight entregar resultados consistentes em escala, ele se torna um concorrente direto de soluções mais caras e demoradas de implementar. A startup, sediada na Bay Area, já sinaliza interesse em levar a tecnologia para ferrovias e data centers, mas por ora mantém o foco no mar — onde a métrica que decide contratos é simples: quanto menos diesel, mais margem.

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