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Mercado21 de ago. de 2026, 14:23

Nielsen aposta em wearables para medir quem realmente assiste TV

A empresa vai incorporar dados de smartwatches próprios à medição oficial de audiência a partir de 1º de setembro, tentando resolver o problema do co-viewing na era do streaming.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O que muda a partir de 1º de setembro

A Nielsen vai passar a usar de forma mais ampla dados de wearables próprios para calcular quem está assistindo à TV — e não apenas quantos aparelhos estão ligados. A mudança é o carro-chefe de um pacote de sete aprimoramentos que a empresa anunciou para a temporada 2026-27, com entrada em vigor em 1º de setembro, após validação do Media Rating Council, o órgão que audita a metodologia de audiência nos Estados Unidos.

O recurso central usa pulseiras parecidas com smartwatches, distribuídas a domicílios do painel Nielsen, que captam o áudio de programas e comerciais para identificar quem, entre os moradores da casa, está de fato acompanhando o conteúdo — sem exigir login manual em um People Meter. É uma resposta direta ao problema do "co-viewing": pessoas assistindo TV juntas sem se identificar individualmente ao sistema, o que historicamente subestima a audiência real.

A corrida da Nielsen para não perder relevância

A métrica não nasceu no vácuo. Desde fevereiro, a empresa rodou um piloto com essas pulseiras em eventos de grande audiência — Super Bowl LX, cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas, All-Star Game da NBA, Daytona 500 e o discurso do Estado da União —, testando se a captura passiva de co-viewing melhorava a contagem. Os resultados do piloto ainda não entram como "moeda" (currency, os números usados em negociação comercial); a meta da Nielsen é incorporá-los à medição oficial só na temporada 2026/2027.

O pacote de mudanças também inclui ajustes na ponderação entre dados de painel e Big Data, correção de viés demográfico via machine learning e metodologia revisada para lares hispânicos. É um esforço abrangente para reduzir distorções que se acumularam à medida que o consumo de vídeo migrou do sinal aberto para streaming, plataformas conectadas e telas fragmentadas — território em que o velho modelo de painel fixo perde precisão a cada ano.

Quem ganha — e o que fica exposto

Anunciantes e emissoras são os primeiros beneficiados: a Nielsen continua sendo a referência que baliza preço e valor nas negociações entre marcas, redes e serviços de streaming, e uma contagem de co-viewing mais realista tende a inflar levemente a audiência mensurada de eventos ao vivo — sem, segundo a empresa, gerar um salto artificial nos números.

A outra ponta da equação é a privacidade. Wearables que captam áudio ambiente dentro de casa, mesmo que restritos a painelistas voluntários, ampliam o volume de dados pessoais coletados para fins comerciais. A Nielsen diz que sua metodologia já leva em conta domicílios que optaram por não compartilhar dados de smart TVs — um sinal de que a questão do opt-out segue no radar da empresa, ainda que os detalhes técnicos de como o consentimento funciona para os próprios wearables não tenham sido detalhados publicamente.

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