
Ninja Theory inicia desmanche e futuro de Hellblade 3 fica no ar
Depois de duas tentativas frustradas de vender o estúdio, a Xbox começou a demitir funcionários da Ninja Theory, criadora da série Hellblade, e o destino do terceiro jogo da saga ficou incerto.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Fim de linha para um dos estúdios mais queridos da Xbox
A notícia que ninguém da comunidade queria ver se confirmou: a Xbox, divisão de games da Microsoft, começou a demitir funcionários da Ninja Theory, estúdio britânico responsável pela aclamada série Hellblade. E o pior: tudo indica que o terceiro jogo da saga, Hellblade 3, pode nunca sair do papel.
O caminho até aqui já vinha sendo arrastado. Em junho, a Xbox anunciou que pretendia se desfazer da Ninja Theory, tentando vendê-la para um novo investidor — mas, segundo o COO da Xbox Game Studios, Matt Booty, duas negociações de venda caíram por terra em setembro. Sem comprador, a saída encontrada pela Microsoft foi simplesmente começar o desmanche da equipe, dentro de uma reestruturação mais ampla dos estúdios da Xbox.
Foto: reprodução/gamesbeat.com
Funcionários se despedem pelo LinkedIn
Quem está sentindo o golpe na pele são os próprios desenvolvedores, que começaram a anunciar as demissões em redes sociais como o LinkedIn. Uma das vozes mais fortes foi a de Katrin Mair, programadora de gameplay que estava há quatro anos na empresa. Em publicação, ela escreveu: "É incrivelmente triste saber que não conseguiremos terminar aquilo em que trabalhamos" — numa referência direta ao projeto de Hellblade 3, que vinha sendo tratado internamente como vitrine para atrair compradores.
Outros nomes também confirmaram a saída, incluindo profissionais com mais de dez anos de casa — prova de que o corte não poupou nem quem ajudou a construir a identidade do estúdio desde os primeiros jogos. O número exato de demitidos não foi divulgado oficialmente.
Um padrão que incomoda a indústria
O caso da Ninja Theory escancara, mais uma vez, a lógica fria por trás das grandes reestruturações da indústria: estúdios como Rare e Halo Studios foram realocados para dentro da Activision, enquanto Compulsion Games, Double Fine Productions e Undead Labs conseguiram escapar na base da independência. A Ninja Theory, criadora de uma franquia premiada e respeitada pela forma sensível como trata temas como saúde mental, não teve a mesma sorte.
Fica o alerta de sempre para quem acompanha de fora: um jogo nunca é só código e arte — é também o emprego e o esforço de gente real, que agora vê o próprio trabalho virar incerteza de uma hora para outra. Resta saber se Hellblade 3 sai mesmo que seja em outras mãos, ou se vira só mais uma promessa interrompida da era dos megaestúdios.