
Nintendo contraria Sony e diz que não vai abandonar jogos físicos
Executivo da Nintendo para a América Latina afirma que a empresa adota postura "agnóstica" sobre formatos, justo quando a Sony prepara o fim da mídia física no PlayStation a partir de 2028.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
A Nintendo bate o pé pelo cartucho
Enquanto a Sony conta os dias pro fim dos discos, a Nintendo foi na contramão. Bill van Zyll, vice-presidente e gerente-geral da Nintendo para a América Latina, afirmou durante a Brazil Game Show que a empresa não tem planos de abandonar o formato físico dos jogos. Segundo ele, a companhia adota uma postura "agnóstica" em relação a digital versus físico, priorizando o que o consumidor prefere. A frase que resume bem o recado: "Não há planos de abandonar o formato físico. Sabemos o quanto os fãs também gostam disso."
Van Zyll ainda lembrou que o Switch 2, lançado em junho de 2025, oferece as duas opções — cartucho e versão digital — lado a lado, sem forçar ninguém a escolher um caminho só.
O contraste com a Sony
A declaração não existe no vácuo. Em julho deste ano, a Sony anunciou que vai parar de produzir mídia física para jogos novos do PlayStation a partir de janeiro de 2028. A justificativa veio da diretora financeira da companhia, Lin Tao: o formato digital já responde por cerca de 85% das vendas de jogos da marca, então o disco virou, na visão da empresa, peso morto.
A decisão não caiu bem. Uma petição contrária reuniu mais de 345 mil assinaturas, e a comunidade de jogadores reagiu com protestos nas redes. Mesmo assim, a Sony confirmou que não vai recuar — o que torna a postura da Nintendo (e também da Xbox, que sinalizou intenção parecida) ainda mais notável por comparação.
Por que isso é bom pra quem joga
Aqui entra o ponto que interessa ao bolso e à liberdade do consumidor: mídia física significa poder revender o jogo, emprestar pra um amigo, comprar numa promoção de loja física sem depender de conta online, e não perder acesso à biblioteca se um servidor sair do ar um dia. Cartucho não trava com queda de internet, não some de loja digital por questão de licença, e não vira pasta de arquivo que só existe enquanto a empresa quiser manter o servidor ligado.
A fala de Van Zyll também tem um recorte regional interessante: segundo o próprio executivo, a preferência pelo formato físico tende a ser mais forte na América Latina do que em boa parte do mundo — o que faz da postura da Nintendo uma notícia especialmente boa pro jogador brasileiro, que historicamente sente no bolso qualquer mudança de regra das grandes fabricantes.