
Nintendo descarta novo aumento no preço do Switch 2, por ora
Depois de subir o preço do console em US$ 50 neste ano, a Nintendo diz que garantiu memória suficiente para evitar outro reajuste. Mas a crise global de RAM deixa a promessa com data de validade incerta.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Nintendo diz que não vai repetir o aumento, pelo menos por enquanto
Se você segurou a compra do Switch 2 esperando outro susto no preço, pode respirar: a Nintendo afirmou que não está planejando um novo reajuste no console, pelo menos não agora. O presidente da empresa, Shuntaro Furukawa, disse a investidores que a companhia conseguiu garantir memória suficiente para atravessar a escassez global de RAM sem precisar repassar o custo ao consumidor de novo.
A frase tranquiliza, mas vem carregada de ressalva. Furukawa não disse "nunca mais" — disse que não há, no momento, mudança significativa na situação de memória que justifique outro aumento. É a diferença entre uma promessa e um alívio temporário.
Foto: reprodução/tomshardware.com
O aumento que já pesou no bolso
Vale lembrar o que já aconteceu: em setembro deste ano, a Nintendo subiu o preço do Switch 2 em US$ 50, passando de US$ 449,99 para US$ 499,99 nos Estados Unidos, com reajustes equivalentes no Japão e na Europa. Quem comprou antes do aumento escapou do golpe; quem não comprou, pagou a mais por um console que, puxado por esse e outros fatores, viu as vendas caírem 41% no trimestre seguinte ao reajuste.
Para o jogador brasileiro, que já lida com um dólar que não dá trégua e importação cara, cada aumento em dólar vira um estrago maior ainda na conversão. A notícia de que não haverá novo reajuste é bem-vinda, mas não muda o fato de que o produto já chegou mais caro do que prometido no lançamento.
Por que todo mundo está de olho na RAM
O pano de fundo é a chamada "RAMpocalypse": a demanda explosiva por memória para data centers de inteligência artificial está disputando com fabricantes de consoles e computadores a mesma matéria-prima escassa. A Microsoft já sentiu o baque e subiu o Xbox Series X para US$ 799,99. A Sony, por ora, segue na mesma linha da Nintendo: garantiu estoque e não prevê novo aumento no PlayStation 5 neste ano fiscal.
O que fica de lição
A comunidade de jogadores aprendeu, da pior forma, que preço de console "final" não existe mais nessa era de escassez de chips. A Nintendo pode estar sendo sincera ao dizer que não vai aumentar — mas a mesma empresa disse isso antes do aumento de setembro também virar realidade. Até a cadeia de suprimentos de memória se estabilizar de verdade, o consumidor que já pagou US$ 499,99 vai continuar de olho no noticiário, torcendo para não ver um novo anúncio de reajuste surgir do nada.