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Games06 de nov. de 2026, 07:46

Nintendo perde fornecedor de memória para cartuchos do Switch

A taiwanesa Macronix vai parar de produzir chips ROM, usados nos cartuchos do Switch, para focar em memória NOR flash voltada a data centers de IA.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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O que aconteceu

A Macronix, fabricante taiwanesa de chips de memória e um dos principais fornecedores de ROM para os cartuchos do Nintendo Switch, vai parar de produzir esse tipo de chip. A empresa vai redirecionar sua capacidade de fabricação para memória NOR flash, componente usado em data centers que sustentam cargas de trabalho de inteligência artificial.

Os números contam a história: segundo o balanço do terceiro trimestre de 2026 da Macronix, a receita com ROM caiu 39% em relação ao ano anterior e já representa apenas 5% do faturamento total da empresa — uma queda de 26% de participação no segundo trimestre de 2025 para 5% agora. Enquanto isso, a receita com NOR cresceu, e o CEO e presidente da Macronix, Miin Wu, afirmou durante a teleconferência de resultados que "a demanda por NOR para data centers está muito forte, com clientes atrás de mais capacidade, pedindo mais soluções de NOR flash para data centers". A empresa não vai mais nem reportar as vendas de ROM separadamente em seus próximos balanços, e o plano de investimento de capital de NT$ 37,8 bilhões está todo direcionado para NOR e NAND flash, sem nada reservado para ROM.

Quem é afetado — e o que isso significa pra quem compra jogo físico

Para quem ainda prefere comprar o cartucho em caixinha em vez do download, a notícia não é motivo de pânico imediato: a Macronix não é a única fornecedora de ROM da Nintendo, então a empresa japonesa tem outros parceiros para recorrer. Mas o movimento acende um sinal de atenção para o futuro dos jogos físicos.

Com menos fábricas dispostas a produzir ROM — um chip de memória que já não é prioridade para a indústria, que está de olho no boom de IA — a tendência é que os chips de memória grandes usados em jogos físicos fiquem mais caros e escassos. Isso pode acelerar algo que já vem acontecendo: o crescimento dos chamados Game-Key Cards, aqueles cartuchos que não guardam o jogo completo, apenas uma chave de ativação que obriga o download do título pela internet. Ou seja, quem defende a cultura de colecionar jogos físicos pode sentir, nos próximos lançamentos, cartuchos mais carões ou cada vez mais substituídos por essa versão híbrida, que na prática empurra o jogador para o digital mesmo comprando uma mídia física.

Panorama

A mudança de rota da Macronix é parte de um fenômeno maior: fabricantes de memória em todo o mundo estão priorizando componentes para data centers de IA, encolhendo a oferta disponível para outros setores, caso dos consoles de videogame.

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