
Nissan corta R$ 20 mil do Kicks Sense para encostar no preço do Kaiti
Com a campanha 'Comparou, Comprou', a Nissan baixa o Kicks Sense de R$ 159.990 para R$ 139.990 e tenta convencer o comprador do Kaiti Advance a subir de categoria pagando a mesma conta.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 20 mil de desconto é a munição da vez
A Nissan colocou o Kicks Sense, versão de entrada da nova geração do SUV, por R$ 139.990 — R$ 20 mil abaixo do preço de tabela de R$ 159.990. A campanha se chama "Comparou, Comprou" e tem um objetivo claro: fazer o Kicks, carro maior e mais completo, custar praticamente o mesmo que o Kaiti Advance, modelo de entrada da própria Nissan. A promoção vale até 4 de novembro de 2026 ou enquanto durar o estoque, e os benefícios não podem ser combinados entre si.
Quem ganha com a queima de estoque
Foto: reprodução/noticiasautomotivas.com.br
O consumidor que já tinha orçamento fechado para o Kaiti Advance é o alvo direto. A Nissan está, na prática, pedindo que esse comprador pague a mesma quantia e saia com um carro maior, com porta-malas de 470 litros, motor 1.0 turbo de injeção direta (220T) que entrega 22,4 kgf/m de torque a 2.500 rpm, transmissão automática com sistema Start/Stop e painel digital de 7 polegadas. Para quem prioriza financiamento, a Nissan também oferece juro zero por até 24 meses, com entrada mínima de 60% e bônus de R$ 12 mil — opção que não se acumula com o desconto à vista.
Quem sente a pressão
A estratégia expõe uma dor de cabeça clássica de montadora: dois modelos da própria linha competindo pelo mesmo bolso do cliente. Ao equalizar os preços, a Nissan está essencialmente admitindo que o Kaiti Advance, sozinho, perderia a corrida de valor percebido contra o Kicks turbinado por desconto — então a saída foi empurrar margem para baixo e tentar levar o cliente para o carro de ticket mais alto, mesmo vendendo por menos.
O movimento também é um recado ao mercado de SUVs de entrada no Brasil, onde a concorrência de modelos como HR-V, Creta e Tracker aperta a Nissan a usar queima de estoque como ferramenta de competitividade. Resta saber se a margem sacrificada agora se paga em volume — e se o efeito colateral de empurrar o próprio Kaiti para a sombra do Kicks compensa no fim do trimestre.