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IA11 de ago. de 2026, 11:14

No trabalho, usuários pedem ao ChatGPT para fazer, não para explicar

Levantamento da OpenAI mostra que, no ambiente profissional, pessoas têm mais que o dobro de probabilidade de usar o ChatGPT para concluir uma tarefa do que para tirar dúvidas — padrão que se inverte fora do expediente.

Por Marina Sato · Repórter de IA

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O número que resume a mudança

No trabalho, as pessoas têm mais que o dobro de probabilidade de usar o ChatGPT para concluir uma tarefa ou criar algo do que fazer perguntas — o oposto do que acontece fora do expediente. O dado é da OpenAI Signals, hub de dados e pesquisas da equipe de Pesquisa Econômica da OpenAI, e foi destacado pelo Olhar Digital em reportagem publicada em 10 de agosto.

De consultor a executor

O padrão confirma uma virada de uso que a própria OpenAI já vinha documentando: em levantamento anterior, com cerca de 1,5 milhão de conversas analisadas até meados de 2025, a companhia dividiu o uso do ChatGPT em três categorias. "Asking" (perguntar, buscar informação) respondia por 49% das mensagens. "Doing" (produzir um texto, planejar, programar) ficava com 40%. "Expressing" (reflexão pessoal, exploração) completava os 11% restantes.

No ambiente de trabalho, porém, essa proporção se inverte. Segundo a OpenAI, mais da metade das mensagens ligadas a tarefas profissionais já se enquadra em "Doing", e a maior parte delas é dedicada a escrita. É esse recorte — trabalho puxando para a execução, vida pessoal puxando para a pergunta — que sustenta a comparação de "mais que o dobro" citada na nova leva de dados.

Outros sinais do relatório

A atualização da OpenAI Signals também aponta crescimento do uso multimídia dentro do ChatGPT: gerar ou analisar imagens e outros formatos já responde por 7,8% das mensagens globais, puxado pelo lançamento do ChatGPT Imagens 2.0 em abril de 2026. Brasil e Colômbia superam a média mundial, com mais de uma em cada dez mensagens envolvendo mídia.

O relatório também mostra expansão etária: a participação de usuários com 35 anos ou mais cresceu 5% em relação a 12 meses atrás, com destaque para França e República Tcheca, onde o avanço passou de dez pontos percentuais.

O que ainda falta apurar

A OpenAI não divulgou o percentual exato por trás da comparação "mais que o dobro" — só a formulação qualitativa. Também não fica claro se a base de mensagens usada nessa métrica é a mesma do estudo de 1,5 milhão de conversas de 2025 ou um recorte mais recente. Os dados da Signals cobrem apenas contas Free, Go, Plus e Pro, o que exclui uso corporativo via API e Codex — ou seja, o comportamento de trabalho pode estar subestimado justamente onde a adoção corporativa é mais intensa.

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