
Noise quer transformar qualquer pessoa com celular em criador pago
A startup americana captou US$ 5,5 milhões para ampliar uma plataforma que já paga mais de 1,5 milhão de criadores por visualização, sem exigir número mínimo de seguidores.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 5,5 milhões para provar que todo mundo pode ser criador
Cinco vírgula cinco milhões de dólares é o novo aporte captado pela Noise, startup americana de marketing de influência que aposta numa tese simples: você não precisa ter milhares de seguidores para ganhar dinheiro criando conteúdo. A rodada, liderada por Capital Midwest (gestora de venture capital do Meio-Oeste americano) e com participação da M25 (fundo focado em startups da região central dos EUA), da Grishin Robotics (fundo de Dmitry Grishin, cofundador do grupo russo de internet Mail.ru) e de executivos do DoorDash, eleva o total captado pela empresa para US$ 7,2 milhões.
Como funciona o modelo
Fundada por Diego Kafie (CEO), Stu Feldt e Nic Weber — trio que antes tocava o aplicativo de jogos mobile Playbite —, a Noise conecta marcas a pessoas comuns dispostas a gravar vídeos para TikTok, Instagram, Facebook e YouTube. Em vez de pagar um cachê fixo por post, como funciona no modelo tradicional de influenciadores, a plataforma remunera por visualização entregue: quanto mais gente assiste ao vídeo, mais o criador recebe. A Noise fica com uma fatia do valor pago pela marca.
Há ainda um recurso chamado "Organic-to-Ads": se um vídeo bomba organicamente, a marca pode comprar mídia paga em cima dele, ampliando o alcance sem precisar produzir peça publicitária do zero.
Quem ganha e quem sente o aperto
Segundo a empresa, já são 1,5 milhão de criadores cadastrados, e os que mais se destacam faturam na casa das seis dígitos por ano — números que, mesmo vindos da própria companhia e não auditados de forma independente, dão a régua do apelo do modelo. Quem ganha é a pessoa comum, sem agência nem grande audiência, que agora tem uma porta de entrada remunerada para a economia de criadores. Quem sente o aperto é o modelo tradicional de influenciadores contratados por cachê fixo: se pagar por visualização entregue for mais barato e mensurável para as marcas, agências e criadores de nicho terão de repensar como cobram pelo próprio trabalho.