
Norte Conectado leva fibra óptica pelos rios da Amazônia contra dependência da Starlink
Governo federal avança com novas infovias submersas de fibra óptica para conectar comunidades isoladas da Amazônia, em projeto de R$ 1,3 bilhão que já soma 5,8 mil km instalados.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Cabos no leito dos rios avançam para reduzir dependência da Starlink
O governo federal segue ampliando o programa Norte Conectado, iniciativa que instala cabos de fibra óptica submersa no leito dos rios amazônicos para levar internet de alta velocidade a comunidades isoladas do Norte do país. O objetivo declarado é oferecer uma alternativa de conexão mais robusta e reduzir a dependência da internet via satélite, hoje dominada pela Starlink, de Elon Musk, em boa parte da região.
O que são as infovias
Foto: reprodução/jornaldebrasilia.com.br
O projeto é estruturado em nove "infovias" — trechos de cabeamento óptico instalado no fundo dos rios, e não em torres ou postes, o que evita desmatamento em áreas de floresta densa. Seis infovias já tiveram a implantação concluída, enquanto outras três seguem em obras, com conclusão prevista até 2028. A mais recente entrega foi a infovia 04, ligando Boa Vista a Manaus em um trajeto de 1.182 km, inaugurada oficialmente em julho.
Escala do projeto
Ao todo, o Norte Conectado prevê 13,2 mil quilômetros de fibra óptica percorrendo rios de seis estados — Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima —, com meta de atender mais de 70 municípios e cerca de 900 pontos públicos, como escolas, hospitais e órgãos governamentais, até 2028. Até o momento, cerca de 5,8 mil quilômetros já foram instalados. O investimento é estimado em R$ 1,3 bilhão, bancado com recursos do leilão do 5G, e o projeto recebeu o selo do Novo PAC. A coordenação é do Ministério das Comunicações, com execução a cargo da EAF (Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz).
Menos satélite, mais fibra
Em regiões remotas da Amazônia, onde a instalação de infraestrutura terrestre é inviável, a Starlink se tornou nos últimos anos a principal opção de conectividade para comunidades ribeirinhas e prefeituras. Com a chegada da fibra óptica subfluvial, a expectativa do governo é que provedores regionais consigam distribuir uma conexão mais estável e barata a partir dos pontos de acesso das infovias, reduzindo aos poucos a dependência do satélite.
Próximos passos
Com a conclusão das infovias ainda em obras, o programa deve ampliar significativamente a cobertura na região amazônica nos próximos dois anos, consolidando uma rede de fibra óptica com vida útil estimada em até 25 anos.