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Mercado13 de out. de 2026, 01:15

Notebooks vão ficar mais caros em 2027 por causa da crise de memória RAM

CPU, DRAM e SSD já representam 68% do custo de montagem de um notebook de US$ 900, segundo a TrendForce, e o repasse de preço ameaça esfriar ainda mais as vendas globais.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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68% do custo de um notebook já é só chip e memória

Esse é o número que resume o aperto que vem por aí: segundo relatório da TrendForce, consultoria taiwanesa especializada em pesquisa de mercado para a cadeia de suprimentos de tecnologia, CPU, DRAM e SSD somados já respondem por 68% do custo de materiais (BOM) de um notebook mainstream de US$ 900 no terceiro trimestre de 2026. Era um patamar impensável há poucos anos, e é o motivo direto por trás da previsão de notebooks mais caros em 2027.

Da escassez de oferta para a resistência de demanda

Até agora, o problema dos fabricantes era conseguir componentes. A partir de 2027, o risco muda de endereço: sai de cena a escassez de suprimento e entra a resistência do consumidor a preços mais altos. A TrendForce projeta queda de embarques globais de notebooks em um dígito baixo no cenário mais ameno — mas, se os preços de DRAM e CPU continuarem subindo, os fabricantes vão ser forçados a repassar mais custo ao varejo, esticando os ciclos de troca dos aparelhos e empurrando a queda de embarques para a casa de um dígito alto.

Quem paga a conta: marcas espremidas entre três escolhas ruins

A alta nos preços de memória, turbinada pela demanda de data centers de inteligência artificial que disputam os mesmos chips de DRAM e NAND com o mercado de PCs, deixou marcas como Apple e Samsung diante de três opções desconfortáveis: subir o preço final e arriscar perder venda, engolir o custo e sacrificar margem, ou cortar especificação do produto. Nenhuma das três é boa para quem fabrica, e todas tendem a significar notebook mais caro ou mais fraco para quem compra.

A geografia da fabricação também está mudando

Há um efeito colateral pouco falado: o movimento de diversificar a produção para fora da China está perdendo fôlego. A fatia de notebooks fabricados fora do território chinês deve cair de cerca de 24% em 2025 para 21% em 2026, podendo ficar abaixo de 20% em 2027. Na prática, o custo mais alto dos componentes está pesando mais do que tarifas e riscos geopolíticos na decisão de onde montar os aparelhos, e a China volta a concentrar ainda mais a produção global.

Quem ganha e quem perde

Quem perde no curto prazo é o consumidor, que deve ver preços subirem num momento de ciclo de troca já alongado, e fabricantes menores, com menos margem para absorver custo. Quem ganha, pelo menos por ora, são os fornecedores de memória e armazenamento, que surfam a demanda aquecida pela IA e repassam preço com folga para fabricantes de PC — um mercado que, em 2026, já não consegue mais dizer que o problema é só falta de peça.

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