
Nous Research vale US$ 1,5 bi e leva agente Hermes para empresas
A startup dona do agente de IA open source Hermes confirmou avaliação de US$ 1,5 bilhão após rodada Série B de US$ 90 milhões liderada pela Robot Ventures. A empresa lança agora uma versão corporativa do produto, com foco em segurança e auditoria.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Avaliação de US$ 1,5 bilhão em três anos
A Nous Research, criadora do agente de inteligência artificial de código aberto Hermes — pouco conhecido no Brasil, mas responsável por mais de 24 milhões de downloads e cerca de 2,5% do uso global de tokens de IA — confirmou ter atingido avaliação de US$ 1,5 bilhão após captar uma rodada Série B de US$ 90 milhões. A rodada foi liderada pela Robot Ventures e contou com nomes de peso como Nvidia, Samsung, Union Square Ventures e Menlo Ventures. Com o aporte, o total levantado pela startup desde a fundação, em 2023, chega a cerca de US$ 158 milhões.
O número que importa aqui não é só a avaliação: é a velocidade. Fundada há apenas três anos, a Nous Research diz faturar hoje em ritmo anualizado de US$ 36 milhões — e projeta superar US$ 100 milhões até o fim de 2026.
Foto: reprodução/cryptobriefing.com
O que o Hermes faz — e por que isso importa
O Hermes é um agente de IA que executa fluxos de trabalho com múltiplas etapas de forma autônoma, mantendo dados privados e seguros — a proposta é rodar localmente ou em ambiente hospedado, sem depender da nuvem de terceiros para tarefas sensíveis. É essa característica que agora vira produto corporativo: a empresa lança o "Hermes for Businesses", voltado a controles de workspace, auditoria e autenticação para empresas que querem automatizar processos sem abrir mão de governança de dados.
Quem ganha e quem perde na corrida dos agentes
O movimento da Nous Research mira direto no apetite corporativo por agentes de IA que não dependem só de modelos fechados de gigantes como OpenAI, Google e Anthropic. Ao oferecer uma base open source com tração comprovada, a startup tenta se posicionar como alternativa mais barata e auditável a soluções proprietárias.
Quem ganha, por ora, é o ecossistema de infraestrutura: Nvidia e Samsung entram como investidores estratégicos, o que sugere interesse em garantir presença em hardware onde agentes como o Hermes possam rodar. Quem perde terreno são os fornecedores de agentes fechados, pressionados a justificar preços mais altos frente a uma opção open source que já tem escala real de uso. Falta saber se a monetização corporativa vai sustentar o múltiplo bilionário ou se a aposta dos investidores embute mais fé no momento da IA do que nos números atuais da empresa.