
Nova ação acusa Activision Blizzard de tentativa de estupro
Ex-funcionária de 14 anos na empresa processa a Activision Blizzard por assédio, discriminação e retaliação, citando dez homens e um episódio de tentativa de estupro entre 2011 e 2012.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
O processo
Uma ex-funcionária da Activision Blizzard, dona de franquias como Call of Duty e World of Warcraft, entrou com uma ação judicial contra a empresa. O processo foi protocolado em 9 de setembro na Corte Superior do Condado de Los Angeles. A autora é identificada no processo como Jane Doe. Ela trabalhou 14 anos no departamento de som da empresa. Foi demitida em abril de 2024.
As alegações
Foto: reprodução/hoodline.com
O processo cita dez homens. As acusações incluem toque não consentido, comentários sexuais, intimidação e sabotagem de promoção. Um episódio é descrito como o mais grave: entre 2011 e 2012, um colega a levou até seu apartamento, bloqueou a saída, ameaçou violência física e tentou estuprá-la. Outro homem do setor de áudio a assediou e ameaçou sua carreira entre 2010 e 2015. Um diretor de áudio tocou sua perna sem permissão e, segundo a ação, sabotou sua ascensão profissional depois disso.
O processo também descreve uma cultura de trabalho que chama de "frat boy" — supervisores e colegas homens exibindo pornografia no ambiente de trabalho, fazendo comentários sexuais e objetificando mulheres abertamente. Há ainda menção a jornadas de trabalho excessivas em horários inadequados.
A resposta da empresa
A Activision Blizzard disse que trata as alegações com seriedade. Em nota, afirmou que se esforça pra manter um espaço respeitoso e inclusivo. A empresa não confirmou investigação interna nem contato direto com a ex-funcionária.
O histórico
Este não é o primeiro processo do tipo contra a companhia. Em 2021, uma investigação semelhante levou mais de 3 mil funcionários a paralisar suas atividades em protesto. Na época, a Activision Blizzard pagou um acordo de US$ 35 milhões às vítimas, sem admitir publicamente os problemas internos. Cinco anos depois, as alegações se repetem — agora numa ação individual, movida por uma funcionária que passou quase toda a carreira dentro da empresa.