
Nova tecnologia liga sinais do celular à placa do carro em câmeras
Sistema SignalTrace, da empresa Leonardo, capta sinais de Bluetooth, Wi-Fi e RFID de celulares, AirPods e smartwatches e os associa a placas de veículos, ampliando o alcance de câmeras de leitura automática de placas.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Uma nova tecnologia de vigilância chamada SignalTrace, desenvolvida pela empresa Leonardo, está sendo instalada como complemento a câmeras de leitura automática de placas (ALPR, na sigla em inglês). Diferente dos leitores tradicionais, que apenas fotografam placas de veículos, o SignalTrace capta sinais de Bluetooth, Wi-Fi e RFID emitidos por dispositivos próximos — como celulares, AirPods e smartwatches — no momento em que um carro passa pela câmera.
Segundo reportagem do 404 Media, o sistema transforma essas emissões em "assinaturas digitais" únicas, classifica os dispositivos por tipo e os associa ao veículo que passou pela câmera naquele instante. Com o tempo, o software pode reconhecer quais dispositivos costumam viajar juntos repetidamente, criando um padrão que liga pessoas específicas a um carro — mesmo que a placa não seja conhecida previamente pelos investigadores.
O pesquisador de segurança Ryan O'Horo identificou instalações reais do SignalTrace em Oxon Hill, Maryland, operadas pelo Departamento de Polícia do Condado de Prince George's. Até onde se sabe, esse é o único uso confirmado da tecnologia em campo até o momento — o restante segue em fase de comercialização e testes pela fabricante.
Quem é afetado
Qualquer motorista ou passageiro que trafegue próximo a uma câmera equipada com SignalTrace pode ter os sinais de seus dispositivos pessoais capturados, catalogados e associados ao veículo, sem necessidade de mandado judicial. Especialistas em privacidade apontam que a tecnologia reduz o anonimato de quem dirige em vias públicas, já que passa a ser possível rastrear não só o carro, mas também as pessoas dentro dele, a partir dos aparelhos que carregam.
A preocupação central é que câmeras pensadas para monitorar veículos se tornem, na prática, ferramentas de rastreamento de indivíduos — algo que pode ser consultado por investigadores mesmo sem uma placa específica como ponto de partida.
O que fazer agora
Não há uma forma simples de "desligar" a exposição a esse tipo de captação passiva, mas algumas medidas reduzem o rastro deixado por dispositivos pessoais:
- Desative o Bluetooth e o Wi-Fi do celular quando não estiverem em uso, especialmente em deslocamentos por rodovias monitoradas;
- Verifique se fones de ouvido e smartwatches têm opção de desativar broadcast contínuo de sinal;
- Acompanhe iniciativas locais de transparência sobre câmeras de vigilância e leitores de placas na sua cidade;
- Fique atento a atualizações regulatórias, já que a chegada de tecnologias como essa tende a intensificar o debate sobre limites legais da vigilância por câmeras de rodovia nos Estados Unidos.