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Segurança11 de ago. de 2026, 13:20

Nova tecnologia liga sinais do celular à placa do carro em câmeras

Sistema SignalTrace, da empresa Leonardo, capta sinais de Bluetooth, Wi-Fi e RFID de celulares, AirPods e smartwatches e os associa a placas de veículos, ampliando o alcance de câmeras de leitura automática de placas.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Uma nova tecnologia de vigilância chamada SignalTrace, desenvolvida pela empresa Leonardo, está sendo instalada como complemento a câmeras de leitura automática de placas (ALPR, na sigla em inglês). Diferente dos leitores tradicionais, que apenas fotografam placas de veículos, o SignalTrace capta sinais de Bluetooth, Wi-Fi e RFID emitidos por dispositivos próximos — como celulares, AirPods e smartwatches — no momento em que um carro passa pela câmera.

Segundo reportagem do 404 Media, o sistema transforma essas emissões em "assinaturas digitais" únicas, classifica os dispositivos por tipo e os associa ao veículo que passou pela câmera naquele instante. Com o tempo, o software pode reconhecer quais dispositivos costumam viajar juntos repetidamente, criando um padrão que liga pessoas específicas a um carro — mesmo que a placa não seja conhecida previamente pelos investigadores.

O pesquisador de segurança Ryan O'Horo identificou instalações reais do SignalTrace em Oxon Hill, Maryland, operadas pelo Departamento de Polícia do Condado de Prince George's. Até onde se sabe, esse é o único uso confirmado da tecnologia em campo até o momento — o restante segue em fase de comercialização e testes pela fabricante.

Quem é afetado

Qualquer motorista ou passageiro que trafegue próximo a uma câmera equipada com SignalTrace pode ter os sinais de seus dispositivos pessoais capturados, catalogados e associados ao veículo, sem necessidade de mandado judicial. Especialistas em privacidade apontam que a tecnologia reduz o anonimato de quem dirige em vias públicas, já que passa a ser possível rastrear não só o carro, mas também as pessoas dentro dele, a partir dos aparelhos que carregam.

A preocupação central é que câmeras pensadas para monitorar veículos se tornem, na prática, ferramentas de rastreamento de indivíduos — algo que pode ser consultado por investigadores mesmo sem uma placa específica como ponto de partida.

O que fazer agora

Não há uma forma simples de "desligar" a exposição a esse tipo de captação passiva, mas algumas medidas reduzem o rastro deixado por dispositivos pessoais:

  • Desative o Bluetooth e o Wi-Fi do celular quando não estiverem em uso, especialmente em deslocamentos por rodovias monitoradas;
  • Verifique se fones de ouvido e smartwatches têm opção de desativar broadcast contínuo de sinal;
  • Acompanhe iniciativas locais de transparência sobre câmeras de vigilância e leitores de placas na sua cidade;
  • Fique atento a atualizações regulatórias, já que a chegada de tecnologias como essa tende a intensificar o debate sobre limites legais da vigilância por câmeras de rodovia nos Estados Unidos.
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