
Nova York cobra conta de carbono dos prédios e 95% dos donos pagam em dia
No primeiro ano de fiscalização da Lei 97, quase todos os grandes edifícios de Nova York entregaram relatório de emissões e 95% deles já estão dentro da meta. Quem não cumpriu já recebeu multa.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
A conta de carbono chegou e a maioria pagou em dia
Quem é dono de prédio grande em Nova York já sabe: desde 2024 existe boleto de carbono. E, pelo visto, a cidade está conseguindo cobrar. Segundo o Departamento de Edificações de Nova York (DOB), dos 29.031 edifícios obrigados a reportar no primeiro ano da Lei Local 97 (Local Law 97), 95% apresentaram os relatórios de conformidade até o prazo de 29 de agosto de 2025. Só 1.911 prédios, 7% do total, ficaram de fora do prazo.
Mais importante: de quem entregou o relatório, 95% — mais de 9.950 propriedades — já está dentro do limite de emissões de gases de efeito estufa estabelecido para 2024. A meta da lei é ambiciosa, pedindo 40% de redução de emissões até 2030, mas a Deputy Commissioner de Sustentabilidade do DOB, Laura Popa, e a diretora Emily Hoffman apontam que a maioria dos prédios conseguiu se ajustar com obras relativamente simples: troca de iluminação, isolamento térmico, instalação de bombas de calor e sistemas de gestão de energia.
Quem não pagou, já está sendo cobrado
A cidade não ficou só no discurso. O DOB já emitiu 1.014 avisos de deficiência (NODs) para quem não entregou documentação e outros 164 NODs para quem excedeu o limite de emissões. Cada tonelada de CO2 equivalente acima do permitido custa 268 dólares de multa, e a prefeitura já arrecadou cerca de 270 mil dólares em multas, além de 1,7 milhão de dólares com compensações de offsets de energia renovável (AHRF). Das 470 propriedades que passaram do limite em 2024, 32% excederam por menos de 10% — ou seja, estão perto de se ajustar. Quem quer evitar a multa pode pedir mitigação: 149 propriedades já fizeram esse pedido, e 102 delas (68%) optaram por apresentar um plano de descarbonização em vez de pagar à vista.
Por que isso interessa ao Brasil
Nenhuma cidade brasileira tem hoje uma lei equivalente cobrando emissões de prédios existentes com multa por tonelada de carbono. O caso de Nova York mostra um modelo possível: fiscalização ativa, prazo público, multa proporcional ao excesso e wébinars de apoio técnico (a Urban Green Council e o serviço gratuito NYC Accelerator ajudaram síndicos a se planejar). Para quem acompanha metas de clima em capitais como São Paulo e Rio, a pergunta que fica é: quem vai fiscalizar e quem vai pagar a conta aqui?