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Smart Cities01 de set. de 2026, 11:20

Nova York testa medianas 'esponja' em Queens para conter enchentes

Prefeitura de Nova York e governo do estado investem US$ 8,4 milhões para transformar três medianas de concreto em Queens em jardins de infiltração capazes de absorver 5 milhões de galões de chuva por ano.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Concreto vira jardim para segurar a chuva

Quem mora em Whitestone, Forest Hills e Queens Village, no bairro do Queens, em Nova York, vai ver três medianas de concreto sumirem para dar lugar a canteiros de infiltração. O prefeito Zohran Mamdani e a governadora do estado, Kathy Hochul, anunciaram um investimento de US$ 8,4 milhões para transformar essas faixas centrais de avenidas em estruturas de bioretenção — as chamadas "esponjas" urbanas, projetadas para captar água de chuva antes que ela sobrecarregue o sistema de esgoto.

Segundo o Departamento de Proteção Ambiental de Nova York (DEP), as novas áreas devem absorver cerca de 5 milhões de galões (quase 19 milhões de litros) de água pluvial por ano. As antigas ilhas de concreto dão lugar a bocas de entrada que desviam a água da rua para reservatórios subterrâneos e canteiros plantados com espécies nativas.

Quem paga a conta e quem fiscaliza

Do total de US$ 8,4 milhões, US$ 5 milhões vêm de subvenções estaduais do Green Innovation Grant Program e do Water Quality Improvement Project, geridos pela New York State Environmental Facilities Corporation. A obra faz parte de um programa municipal de infraestrutura verde iniciado em 2010, sob um plano de US$ 2,4 bilhões da gestão Bloomberg, que já soma mais de 11 mil instalações do tipo pela cidade. Mas o anúncio não detalha um cronograma público de vistorias das três medianas nem indica qual órgão vai medir, ano a ano, se a meta de captação é cumprida.

O problema que a cidade tenta resolver é estrutural: 60% do sistema de esgoto de Nova York mistura água de chuva e esgoto no mesmo cano, e projeções citadas pelas autoridades apontam 30% mais chuva anual e 150% mais dias com chuvas fortes até o fim do século. A meta é reduzir os transbordamentos combinados em 1,67 bilhão de galões por ano até dezembro de 2040.

O que isso diz para quem vive em cidade que alaga

A lógica das "esponjas" de Nova York não é exclusividade americana. No Brasil, Belo Horizonte já soma 66 jardins de chuva instalados, a maioria na região Norte, como reforço às obras de contenção de enchentes nas bacias dos córregos do Nado e Vilarinho, com a prefeitura projetando ultrapassar 100 unidades até o fim de 2026. São escalas bem diferentes, mas o princípio é o mesmo: dar à água um caminho para infiltrar em vez de escoar direto para bueiros já sobrecarregados. Para o morador que enfrenta alagamento na porta de casa, a pergunta que fica é sempre a mesma: quanto custou, quem fiscaliza a obra depois de pronta e como a prefeitura vai provar, com dados públicos, que a esponja realmente funcionou na próxima tempestade.

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