
Novo CEO da Apple quer lançar produtos com mais frequência
John Ternus planeja abandonar os grandes eventos concentrados na primavera e no outono do hemisfério norte para lançar dispositivos ao longo do ano todo. A mudança, revelada pela Bloomberg, vem acompanhada de um corte de camadas de gestão dentro da empresa.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O fato que muda o calendário da Apple
John Ternus, que assumiu como CEO da Apple em 1º de setembro de 2026 após comandar a divisão de engenharia de hardware da empresa, quer que a Apple lance produtos com mais frequência do que nos tradicionais grandes eventos de primavera e outono do hemisfério norte. A informação é de uma reportagem da Bloomberg assinada por Mark Gurman, que detalhou os planos iniciais do executivo para a companhia.
Segundo o levantamento, Ternus vem discutindo formas de encurtar o caminho entre o desenvolvimento e o lançamento dos produtos, dando às equipes de hardware mais liberdade para testar novas categorias. Na prática, isso significa distribuir os anúncios de novos dispositivos ao longo de todo o ano, em vez de concentrá-los nos dois grandes eventos que marcam o calendário da empresa há mais de uma década — o lançamento do iPhone em setembro e as atualizações de primavera para Mac e iPad.
Menos camadas, mais engenharia
A mudança na cadência de lançamentos vem junto com uma reorganização interna. Ternus quer reduzir as camadas de gestão entre engenheiros e a liderança sênior, aproximando quem desenvolve os produtos de quem toma as decisões. Como parte desse movimento, a Apple já dispensou diretores e gerentes de programas de engenharia nas últimas semanas, com expectativa de novos cortes. A empresa também estaria controlando custos e reduzindo aumentos de orçamento e verbas de marketing previstos para 2027.
A leitura de Ternus é que a Apple precisa se tornar mais experimental para competir na era da inteligência artificial, quando rivais como Google e Samsung têm lançado atualizações e recursos em ritmo mais acelerado.
Quem ganha e quem perde com a mudança
Para a cadeia de fornecedores asiática, especialmente parceiros de montagem e componentes, um calendário de lançamentos pulverizado ao longo do ano pode significar produção mais constante, sem os picos concentrados em torno de setembro. Já para varejistas e para a imprensa especializada, o fim da previsibilidade dos grandes eventos sazonais exige se adaptar a anúncios menores e mais frequentes.
Para o consumidor, a promessa é ter novidades surgindo o ano inteiro, e não apenas em duas janelas fixas. Do lado interno, porém, a mudança pressiona funcionários que enfrentam prazos mais curtos e uma estrutura mais enxuta, com cortes que já atingiram equipes como Siri, Vision Pro e Fitness+.