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Ciência06 de nov. de 2026, 07:45

Novo software deixa imagens de exoplanetas do telescópio Webb mais nítidas

Pesquisadores criaram o FLIP, programa que modela fisicamente a câmera do telescópio James Webb para reduzir ruído e bloquear melhor a luz das estrelas — e já permitiu fotografar um exoplaneta antes invisível aos dados da missão.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: é como tentar fotografar um vaga-lume do lado de um farol — e um novo software está ajudando a apagar o farol digitalmente

Uma equipe de pesquisadores, liderada por Rodrigo Ferrer-Chavez, da Northwestern University (universidade americana de pesquisa, em Illinois), desenvolveu um software batizado de FLIP ("Physics-based Learning for Imaging Planets") para melhorar a capacidade do Telescópio Espacial James Webb de fotografar exoplanetas diretamente. O estudo foi publicado na revista científica Nature em 2026, segundo reportagem da Ars Technica.

O problema confirmado pelo estudo

Telescópios usam coronógrafos para bloquear a maior parte da luz de uma estrela e revelar planetas muito mais fracos ao seu redor. Mas pequenas variações no apontamento e na configuração do telescópio entre observações geram ruído que limita a eficácia desse bloqueio. Até agora, segundo o artigo, havia duas formas de calcular como o telescópio distorce a luz (a chamada "função de dispersão de ponto"): observar um alvo conhecido — método que perde precisão porque o comportamento do equipamento muda com o tempo — ou simular o hardware inteiro, algo inviável computacionalmente dado o número de variáveis de um telescópio moderno.

Como o FLIP funciona, segundo os autores

O software usa um modelo físico da câmera NIRCam do James Webb, com até 1 milhão de parâmetros possíveis, e aplica uma técnica chamada gradient descent — a mesma usada para treinar redes neurais — para otimizar esses parâmetros com dados reais de uma estrela. Rodando em uma GPU comum, o processo leva pouco mais de 30 minutos, seguido de um ajuste fino com a imagem científica real sendo analisada.

Os resultados, conforme publicados

Nos testes, aplicados a observações das estrelas HIP 65426 e 51 Eridani (ambas com exoplanetas conhecidos) e também a TYC 5899 (sem exoplanetas conhecidos, mas com grande variação entre observações), o FLIP:

  • aumentou a razão sinal-ruído por um fator de 1,5 a 2, dependendo da observação;
  • permitiu detectar, pela primeira vez nos dados do Webb, um exoplaneta em um comprimento de onda usado para identificar dióxido de carbono;
  • aumentou a sensibilidade das observações de TYC 5899 por um fator de 15.

O que ainda é expectativa, não resultado fechado

Os próprios pesquisadores dizem esperar — mas ainda não comprovaram em escala — que a redução de ruído permita detectar exoplanetas mais fracos, e portanto mais antigos ou de menor massa, que hoje escapam da detecção. Também estudam adaptar o FLIP para apontar onde ele faz as correções mais drásticas no modelo, o que poderia revelar informações sobre o próprio funcionamento do telescópio — uma aplicação ainda em fase de ideia, segundo o artigo.

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